Planos de saúde

Os números por trás da crise entre a Geap e a rede hospitalar

Dados de glosas, reclamações e resultado financeiro ajudam a explicar os descredenciamentos que atingem a operadora de servidores públicos

Geap Saúde - Foto: Reprodução
Geap Saúde - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 24/07/2026, às 10h58


Uma sequência de indicadores ajuda a entender a crise que levou hospitais em pelo menos dez estados a suspender ou encerrar contratos com a Geap, operadora de servidores públicos federais, estaduais e municipais.

Glosas em alta

Segundo dados da ANS, o percentual de recusas de pagamento de procedimentos pela Geap saltou de 5,8% no primeiro semestre do ano passado para mais de 14% no segundo semestre — mais que o dobro da média do setor, que gira em torno de 6,5%.

Dívidas bilionárias com hospitais

A Rede D'Or afirma ter pendências superiores a R$ 200 milhões com a operadora, acumuladas desde janeiro de 2025, o que resultou em suspensão de atendimento em 28 unidades e descredenciamento em outras seis. O Hospital das Clínicas da USP também relata pagamentos parciais e glosas consideradas indevidas desde 2023 em um de seus contratos, e inadimplência desde 2024 em outro — este já rescindido por justa causa, com ação judicial em curso.

Reclamações multiplicadas

No Reclame Aqui, as queixas contra a Geap, antes numa média de 50 a 60 por mês, chegaram a 666 em maio e 392 em junho. No Consumidor.gov.br, o cadastro da operadora foi desativado.

Crescimento acelerado da carteira

A Geap afirma ter saído de 270 mil para 420 mil beneficiários em três anos — um crescimento superior a 15% ao ano —, o que, segundo a operadora, exigiu ajustes na rede credenciada.

Resultado financeiro em recuperação

Apesar das críticas, a Geap fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 47 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 175 milhões no mesmo período do ano anterior, embora o consolidado de 2025 ainda registre perdas.

Rede em reformulação

A operadora diz contar com mais de 30 mil prestadores diretos e afirma ter fechado parcerias com Unimed, Hapvida e Amil para ampliar a rede a mais de 100 mil prestadores, incluindo 65 mil médicos, 1,86 mil hospitais e 17 mil clínicas — movimento que, segundo a Geap, busca equilíbrio entre capilaridade e sustentabilidade financeira.


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