Agressora de 13 anos utilizou técnicas de artes marciais em ataque a colega de 12 anos, que já sofria perseguições

Gabriel Nubile Publicado em 05/12/2025, às 11h04
As cenas de violência gravadas na porta de uma escola em Guarujá não chocaram apenas quem assistiu ao vídeo nas redes sociais, mas também as autoridades policiais. O delegado Glaucus Vinícius, responsável pelo caso, classificou as imagens como "revoltantes" e afirmou que a investigação vai além da adolescente que cometeu as agressões: os pais dela também estão na mira da polícia e poderão ser responsabilizados pela conduta da filha.
O caso aconteceu na última quarta-feira (26), nas imediações da Escola Estadual São Francisco de Assis, no bairro Parque Enseada. A briga envolveu uma estudante de 13 anos, que aparece atacando uma colega mais nova, de 12 anos. O que chamou a atenção da polícia foi a técnica utilizada na agressão. Segundo a análise preliminar das autoridades, a agressora demonstra ter conhecimento de artes marciais, desferindo chutes altos diretamente no rosto da vítima, que mal conseguia se proteger dos golpes.
A menina agredida relatou que já vinha sofrendo perseguições por parte da colega há alguns dias, culminando no ataque físico registrado pelos celulares de outros estudantes. O episódio foi oficialmente registrado na delegacia como lesão corporal e a agressora deverá responder por ato infracional. Além dela, os alunos que aparecem nas gravações assistindo ou filmando a cena também deverão prestar depoimento.
Alerta aos pais e risco de perda da guarda
O delegado fez um alerta muito sério direcionado aos responsáveis pela jovem e aos pais em geral. Ele explicou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas duras quando fica comprovado que os pais sabiam do comportamento violento dos filhos e não agiram. Uma das consequências possíveis é a perda do poder familiar, ou seja, os pais podem perder a guarda da adolescente, que passaria a ficar sob a tutela do Estado.
Para a autoridade policial, quando um caso de briga escolar chega a esse ponto, é sinal de que a proteção social e familiar falhou. "Se eu, enquanto delegado, tiver que intervir na criação de alguém, é o fim para aquele responsável", destacou, reforçando que o Estado agirá com rigor dentro da lei.
Afastamento e medidas da escola
Após a repercussão do caso, a Secretaria da Educação informou que tomou providências administrativas. A aluna de 13 anos foi afastada do convívio escolar presencial e passou a acompanhar as aulas de forma remota, de casa. A equipe gestora da escola convocou os pais de ambas as estudantes para conversar e o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar a situação.
A Diretoria de Ensino da região garantiu que um psicólogo do programa "Psicólogos nas Escolas" está à disposição para atender as alunas envolvidas. O caso também foi inserido na plataforma Conviva SP, que monitora a convivência e a proteção dentro do ambiente escolar, buscando evitar que novos episódios de violência aconteçam.
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