Meio ambiente

Pesquisa aponta que 80% dos moradores da Baixada Santista já percebem impactos das mudanças climáticas

Levantamento mostra que ondas de calor, enchentes e períodos de seca já fazem parte da rotina da população, enquanto cresce a preocupação com a capacidade do país de enfrentar os efeitos da crise climática

Levantamento aponta que a maioria dos moradores da Baixada Santista já sente os efeitos das mudanças climáticas no dia a dia, especialmente durante períodos de calor intenso e chuvas extremas - Imagem: Arquivo AT
Levantamento aponta que a maioria dos moradores da Baixada Santista já sente os efeitos das mudanças climáticas no dia a dia, especialmente durante períodos de calor intenso e chuvas extremas - Imagem: Arquivo AT

Redação Publicado em 03/07/2026, às 17h05


Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Aerah House revela que 80% dos moradores da Baixada Santista sentem os efeitos da crise climática, como ondas de calor e enchentes, refletindo uma preocupação crescente com a qualidade de vida na região.

Cerca de 70% dos entrevistados acreditam que o Brasil não adota medidas adequadas para proteger o meio ambiente, evidenciando insatisfação com as políticas ambientais e a capacidade do governo de enfrentar a crise climática.

Em resposta à confirmação do fenômeno El Niño, o Ministério Público de São Paulo começou a monitorar as ações dos municípios da Baixada Santista, solicitando informações sobre planos de contingência e medidas preventivas para mitigar os impactos climáticos.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Aerah House revela que a crise climática já faz parte da realidade da população da Baixada Santista. De acordo com o levantamento, cerca de oito em cada dez moradores da região afirmam sentir, no cotidiano, os efeitos provocados pelas mudanças no clima, como ondas de calor mais intensas, enchentes frequentes e períodos de estiagem.

O estudo, realizado em abril de 2026, também aponta que aproximadamente 70% dos entrevistados consideram que o Brasil não tem adotado medidas suficientes para proteger o meio ambiente. Os dados refletem uma percepção crescente de que os impactos ambientais deixaram de representar uma preocupação futura e passaram a influenciar diretamente a qualidade de vida da população.

A pesquisa foi divulgada em um momento de atenção dos especialistas para a formação de um novo episódio do fenômeno El Niño, oficialmente confirmado no início de junho. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno tem potencial para alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país, favorecendo secas prolongadas em algumas áreas, aumento das precipitações em outras e maior ocorrência de eventos climáticos extremos.

Segundo a sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, Fernanda Faria, a população já não discute mais se as mudanças climáticas existem, mas sim como elas afetam a rotina das pessoas e quais medidas precisam ser adotadas para reduzir seus impactos.

De acordo com a pesquisadora, a percepção da população também demonstra insatisfação em relação às políticas ambientais e à capacidade do poder público de responder aos desafios impostos pela crise climática. Para ela, o cenário atual amplia a sensação de insegurança diante da possibilidade de novos eventos extremos, aumentando a expectativa por ações de prevenção, planejamento e adaptação.

Os resultados indicam ainda que os moradores da Baixada Santista associam diretamente a preservação ambiental à qualidade de vida, ao bem-estar e até mesmo ao planejamento familiar. Na avaliação da pesquisadora, esse comportamento demonstra que o tema passou a integrar decisões cotidianas da população.

Pesquisa ouviu brasileiros de todas as regiões

O levantamento integra o estudo nacional "O Brasil de Agora – A Vida Sob Novas Condições", elaborado pelo Instituto de Pesquisa Aerah House. Foram entrevistados 2 mil brasileiros com 18 anos ou mais, distribuídos em todas as regiões do país.

A coleta de dados ocorreu em abril de 2026 e utilizou uma amostra representativa da população brasileira, considerando critérios como região, sexo, faixa etária e classe social. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

MP acompanha ações contra os impactos do El Niño

Paralelamente à divulgação da pesquisa, o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), iniciou um acompanhamento das medidas adotadas pelos municípios da Baixada Santista diante da confirmação do El Niño.

O órgão solicitou informações às nove prefeituras da região sobre a existência de planos municipais de contingência, ações preventivas da Defesa Civil, obras de drenagem e contenção de encostas em áreas de risco, além da articulação entre os governos municipal, estadual e federal para enfrentar possíveis impactos provocados pelo fenômeno climático.

Segundo o Ministério Público, o objetivo é verificar o grau de preparação dos municípios para reduzir riscos à população diante da possibilidade de aumento de eventos climáticos extremos nos próximos meses.