Meio ambiente

Pesquisa revela impacto do lixo nos manguezais de Cubatão e ameaça à preservação do guará-vermelho

Levantamento identificou grande volume de resíduos em áreas de mangue e aponta prejuízos diretos ao ecossistema que sustenta a ave símbolo do litoral paulista

Imagem: Reprodução / Portal oeco
Imagem: Reprodução / Portal oeco

Otávio Alonso Publicado em 22/01/2026, às 23h15


Uma pesquisa nos manguezais de Cubatão revelou os impactos do descarte irregular de lixo na preservação do guará-vermelho, ave que retornou à região após décadas. O estudo destacou que a poluição compromete a fauna local e a dinâmica do ecossistema.

Uma pesquisa realizada nos manguezais de Cubatão acendeu um alerta sobre os impactos do descarte irregular de lixo nesses ambientes e os riscos à preservação do guará-vermelho, ave que voltou a ser registrada na região após décadas de desaparecimento. O estudo foi conduzido em áreas de mangue do município e avaliou tanto o volume de resíduos encontrados quanto os efeitos da poluição sobre a fauna local.

Durante as ações de campo, os pesquisadores recolheram uma quantidade expressiva de lixo espalhada pelo manguezal, principalmente materiais plásticos, embalagens, garrafas e outros resíduos de origem urbana. Segundo o levantamento, esse material chega aos mangues por meio de rios, canais e da maré, acumulando-se em regiões de difícil acesso e comprometendo a dinâmica natural do ecossistema.

A pesquisa aponta que o lixo interfere diretamente na qualidade do solo e da água, afeta organismos que vivem no mangue e provoca desequilíbrios na cadeia alimentar. Esse cenário tem reflexo direto sobre o guará-vermelho, que depende do ambiente preservado para se alimentar, repousar e circular pela região. A presença constante de resíduos reduz a oferta de alimento natural e aumenta o risco de contaminação e acidentes com a fauna.

Os manguezais de Cubatão são considerados áreas estratégicas para a biodiversidade da Baixada Santista, funcionando como berçário para diversas espécies de peixes e crustáceos e como abrigo para aves migratórias e residentes. O estudo reforça que a degradação desses espaços compromete não apenas uma espécie específica, mas todo o equilíbrio ambiental da região.

Os responsáveis pelo levantamento destacam que os dados obtidos servem como base para ações de preservação, políticas públicas ambientais e programas de educação ambiental. A pesquisa também reforça a necessidade de fiscalização contínua, limpeza periódica dos manguezais e conscientização da população sobre o descarte correto de resíduos, como forma de garantir a recuperação do ecossistema e a permanência do guará-vermelho em Cubatão.

esultados
Em dezembro, o Projeto Guará Vermelho retomou as coletas semanais de resíduos na Vila Ponte Nova, em Cubatão, com números que ajudam a dimensionar o impacto do descarte irregular no manguezal. Apenas entre os materiais recicláveis, foram recolhidos 185,4 quilos de vidro, 10,2 quilos de metal, 46,4 quilos de plástico e 11,6 quilos de papel, somando 253,6 quilos. Já entre os resíduos não recicláveis, a equipe retirou 5,9 mil quilos de lixo contaminado. No total, 6,1 mil quilos de resíduos foram removidos do meio ambiente, volume que permitiu aos pesquisadores avançar no diagnóstico da situação ambiental da área.

A iniciativa
O Projeto Guará Vermelho é uma iniciativa da ONG Nudaer, desenvolvida em parceria com a Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental. O trabalho tem como foco a recuperação, conservação e preservação do meio ambiente, da biodiversidade e do ecossistema da bacia hidrográfica dos rios Cubatão e Casqueiro, além de seus afluentes. Segundo o organizador do projeto, Wagner Rodriguez, as ações também têm papel fundamental na conscientização da população sobre a importância da preservação dos manguezais e da destinação correta dos resíduos.