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Pesquisa revela que lixo das praias está poluindo o fundo do oceano e contaminando animais

Estudo mostra que até os locais mais isolados do planeta são afetados pela poluição causada por atividades humanas

Pesquisadores da USP revelam a presença de microplásticos e lixo químico em profundidades de até 1.500 metros na Bacia de Santos. - Foto: Reprodução
Pesquisadores da USP revelam a presença de microplásticos e lixo químico em profundidades de até 1.500 metros na Bacia de Santos. - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 23/06/2026, às 09h06


Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares fizeram uma descoberta preocupante no fundo do mar. Um estudo publicado por eles revelou a presença de microplásticos e lixo químico escondidos em regiões profundas da Bacia de Santos, variando entre 400 e 1.500 metros abaixo da superfície. A pesquisa provou que nem mesmo os lugares mais isolados do planeta conseguem escapar dos impactos provocados pelas ações humanas no dia a dia.

Para conseguir coletar esse material, os cientistas precisaram fazer duas viagens em alto-mar a bordo do navio Alpha Crucis. Com a ajuda de redes de pesca especiais e grandes equipamentos de sucção, o grupo conseguiu trazer para a superfície peixes, pequenos bichos marinhos e pedaços de terra do fundo do oceano sem estragar nada.

Isolantes elétricos e químicos no estômago dos peixes

Assim que chegaram ao laboratório, os profissionais analisaram toda a sujeira invisível a olho nu. Na terra do fundo do mar, eles acharam compostos químicos usados como isolantes na rede elétrica. Já dentro do estômago de quatro espécies diferentes de peixes da região, a situação foi ainda pior: além dos isolantes, foram encontrados restos de produtos químicos que servem para impedir o avanço de incêndios. Esse tipo de sujeira demora muitos anos para sumir da natureza e acaba entrando no corpo dos animais.

De acordo com Gabriel Stefanelli-Silva, que liderou a pesquisa, o maior nó na cabeça dos cientistas agora é descobrir exatamente de onde estão vindo esses poluentes, já que essas partículas minúsculas conseguem viajar até mesmo pelo vento antes de caírem na água.

Perigo invisível para os bichos do oceano

O estudo também focou em pedacinhos de plástico com tamanho menor do que cinco milímetros. O cientista explicou que, mesmo quando o lixo é jogado na areia da praia, a correnteza dá um jeito de empurrar esses resíduos para as profundezas. Os bichos que vivem no chão do mar e se alimentam de restos de comida acabam engolindo esse plástico sem querer.

Dentre todos os animais analisados, o pepino-do-mar foi o que mais tinha plástico dentro do organismo. Nas análises, os cientistas identificaram os seguintes materiais:

  • Poliamida e poliacrilonitrila: Fios sintéticos muito comuns na fabricação de roupas;
  • Poliariletercetona e poliestireno: Plásticos duros e resistentes usados em vários objetos;
  • Polissulfeto: Uma borracha industrial que pode ter saído direto das plataformas de petróleo instaladas na região.