O ator e diretor Gracindo Jr. faleceu em casa, no Rio, aos 83 anos, deixando um legado inestimável na cultura nacional

Redação Publicado em 02/09/2026, às 09h16
O cenário artístico brasileiro perdeu um de seus nomes mais emblemáticos da teledramaturgia e do teatro. O consagrado ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite de terça-feira (1º), aos 83 anos, em sua residência na cidade do Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo, que informou que o falecimento ocorreu em decorrência de causas naturais.
Com uma carreira sólida que ultrapassou cinco décadas dedicadas à cultura nacional, Gracindo Jr. construiu uma trajetória multifacetada com atuações de destaque nos palcos, nas radionovelas, no cinema e nas principais emissoras de televisão do país. Ele fez parte de momentos históricos da comunicação no Brasil, tendo integrado o elenco que participou da inauguração da TV Globo no ano de 1965. Ao longo dos anos, destacou-se pela versatilidade ao dar vida a personagens densos e marcantes, além de exercer papel fundamental nos bastidores como diretor de grandes produções dramáticas que moldaram a ficção seriada brasileira.
Despedida aberta ao público e homenagens
A partida do artista comoveu colegas de profissão, críticos de arte e gerações de telespectadores que acompanharam suas atuações na dramaturgia. A família preparou uma cerimônia de despedida aberta para que amigos, parentes e admiradores possam prestar as últimas homenagens ao veterano.
O velório está programado para acontecer nesta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, localizado no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, com início às 12h10. O rito de cremação está agendado para as 14h10 no mesmo local. O legado deixado por Gracindo Jr. permanece como referência fundamental para o desenvolvimento da interpretação cênica e da produção audiovisual no Brasil.

Batizado como Epaminondas Xavier Gracindo, o ator e diretor Gracindo Jr. nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943. Herdeiro do talento de uma das maiores lendas da dramaturgia nacional, o ator Paulo Gracindo (1911–1995), ele chegou a ingressar no ensino superior e concluir a faculdade de Psicologia, mas nunca exerceu a profissão formal, decidindo canalizar toda a sua vocação para a carreira artística.
Sua trajetória profissional começou precocemente em 1959, quando tinha apenas 15 anos de idade. Ao prestar um teste seletivo na lendária Rádio Nacional — emissora em que seu pai brilhava como galã de radionovelas e animador de programas de auditório —, o jovem foi aprovado e iniciou suas atividades acumulando funções como ator, redator e disc-jóquei. Dois anos mais tarde, em 1961, fez sua estreia nos palcos teatrais atuando no espetáculo "A Escada", clássico de Oswald de Andrade.
Pioneirismo na televisão e parceria com o pai

Com a fundação da TV Globo em abril de 1965, Gracindo Jr. tornou-se um dos pioneiros da emissora, tendo sido contratado ainda em dezembro de 1964 para compor o primeiro elenco da casa. Na fase embrionária do canal, integrou produções históricas como "Rosinha do Sobrado", "Padre Tião", "A Rainha Louca", "A Próxima Atração" e "Supermanoela". A parceria com o pai diante das câmeras rendeu encontros inesquecíveis na teledramaturgia, a exemplo de "Os Ossos do Barão", do clássico "O Bem-Amado", de Dias Gomes, e da novela "O Casarão", escrita por Lauro César Muniz, na qual interpretaram as versões jovem e madura do mesmo protagonista.
Ao longo das décadas seguintes, Gracindo Jr. colecionou papéis de grande repercussão popular em obras consagradas como "Mandala", "O Salvador da Pátria", "Rainha da Sucata", "Deus nos Acuda", "Explode Coração", "Anjo de Mim", "Esplendor" e "Celebridade". Nos bastidores técnicos, construiu carreira sólida como diretor, comandando sucessos como a novela "Marron-Glacé" e, no ano de 1983, os episódios do humorístico "Os Trapalhões", além de ter sido pioneiro na concepção e apresentação dos primeiros videoclipes musicais nacionais veiculados no programa "Fantástico".
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