Segurança pública

PM analisa atuação de agentes que destruíram estruturas de praça durante operação em Santos

Vídeos mostram policiais usando marretas e fogo na Praça José Lamacchia; corporação afirma que estruturas serviam de apoio ao tráfico, enquanto Prefeitura diz não ter sido avisada sobre a demolição

Policiais militares foram filmados destruindo mesas e bancos da Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, em Santos, durante uma operação contra o tráfico de drogas na segunda-feira (24) - Imagem: Reprodução
Policiais militares foram filmados destruindo mesas e bancos da Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, em Santos, durante uma operação contra o tráfico de drogas na segunda-feira (24) - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 26/08/2026, às 15h53


Durante uma operação contra o tráfico de drogas em Santos, a Polícia Militar destruiu estruturas da Praça José Lamacchia, gerando polêmica e questionamentos da população sobre a necessidade da ação. A corporação alegou que os locais eram utilizados por criminosos, enquanto a Prefeitura não foi informada previamente sobre a demolição.

A operação resultou na apreensão de 1,3 quilo de drogas e outros materiais relacionados ao tráfico, além de uma pessoa ter sido detida por irregularidades. A PM justificou a intervenção como uma medida para desmobilizar barricadas que dificultavam a atuação policial na área.

A Secretaria da Segurança Pública está analisando as imagens da operação e pode tomar medidas se irregularidades forem identificadas. A Prefeitura realizará uma vistoria na praça para avaliar os danos e determinar os reparos necessários, mas ainda não há definição sobre a responsabilidade pelos custos de reconstrução.

A Polícia Militar analisa a atuação de agentes filmados destruindo bancos, mesas e outras estruturas da Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, na Zona Noroeste de Santos, durante uma operação contra o tráfico de drogas realizada na segunda-feira (24). Imagens feitas por moradores mostram policiais usando marretas e ateando fogo no espaço público. A corporação sustenta que as estruturas eram utilizadas como pontos de apoio por uma organização criminosa. A Prefeitura de Santos, por outro lado, afirmou que não foi previamente comunicada sobre a demolição.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que as imagens da ocorrência estão sendo analisadas e que, caso sejam constatadas irregularidades na conduta dos agentes, serão adotadas as medidas cabíveis.

Os registros que passaram a circular nas redes sociais mostram um policial golpeando mesas e bancos de concreto com uma marreta enquanto outros agentes acompanham a ação. Também é possível observar focos de fogo em partes da praça. A intervenção provocou questionamentos de moradores sobre a destruição de estruturas destinadas ao uso comunitário.

Segundo a Polícia Militar, a operação teve início por volta das 14h30 de segunda-feira e tinha como objetivo desmobilizar barricadas e estruturas que, de acordo com a corporação, eram utilizadas como apoio à comercialização de drogas e ao controle territorial exercido por criminosos na região. A PM afirmou que coberturas, bancos e mesas existentes no espaço dificultavam a circulação das equipes policiais e eram aproveitados por suspeitos durante atividades relacionadas ao tráfico.

Na versão apresentada pela corporação, o local estava sob influência de uma organização criminosa e apresentava condições consideradas inseguras para moradores e para a atuação das forças de segurança. A PM também informou que reforçou o policiamento na área após a operação, com o objetivo de permitir que a praça volte a ser utilizada pela população.

Durante as buscas, os policiais apreenderam aproximadamente 1,3 quilo de entorpecentes. Segundo informações divulgadas sobre a operação, foram encontrados 585 gramas de cocaína, 583 gramas de maconha, uma porção de crack em pedra bruta pesando 180 gramas e outras 825 porções da mesma droga, que somavam aproximadamente 184 gramas.

Também foram recolhidos R$ 180,25 em dinheiro, duas balanças de precisão, três cadernos com anotações, embalagens utilizadas para armazenar entorpecentes e um aparelho celular. A PM informou ainda que encontrou uma ligação clandestina de água. Uma pessoa apontada como responsável pela irregularidade foi encaminhada à delegacia.

Apesar de a SSP ter informado que a operação ocorreu em parceria com o município, a Prefeitura de Santos declarou que não recebeu comunicação prévia sobre a demolição das estruturas da praça. A administração municipal informou ainda que a Guarda Civil Municipal não participou da ação.

Segundo a Prefeitura, a empresa Terra Santos foi acionada pela Polícia Militar para realizar a retirada dos resíduos resultantes da intervenção. A Prefeitura Regional da Zona Noroeste fará uma vistoria no espaço para identificar os danos e determinar quais reparos serão necessários.

A Praça José Lamacchia é um equipamento público municipal e já recebeu serviços de manutenção da Prefeitura. Em fevereiro deste ano, documento oficial da administração registrou trabalhos de pintura em mesas, bancos e guias do espaço.

Com a repercussão dos vídeos, a Polícia Militar passou a analisar especificamente a forma como a intervenção foi realizada. A SSP não antecipou conclusões sobre a conduta dos agentes. Segundo a pasta, eventuais providências dependerão da verificação das imagens e da identificação de possíveis irregularidades.

Até o momento, não foi informado se houve abertura de procedimento disciplinar específico contra policiais envolvidos. Também não há definição divulgada sobre quem será responsável pelos custos de reconstrução ou substituição dos equipamentos danificados.

A Praça José Lamacchia já foi cenário de operações policiais e ocorrências graves nos últimos anos. Em fevereiro de 2024, o policial militar da Rota Samuel Wesley Cosmo foi baleado no rosto durante um patrulhamento contra o tráfico na região. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu posteriormente.

No mês seguinte, Edneia Fernandes Silva, de 31 anos, foi atingida na cabeça por uma bala perdida enquanto estava sentada em um banco da praça. Ela morreu e deixou seis filhos. Em abril daquele mesmo ano, Carlos Henrique Barbosa Garcia, de 26 anos, foi morto a tiros por policiais militares no local. Segundo a versão registrada na ocasião, ele teria ameaçado os agentes.

Em outubro de 2024, forças de segurança também realizaram uma operação na região da Praça José Lamacchia que terminou com o fechamento de um ferro-velho irregular e apreensão de materiais. A ação envolveu as polícias Civil e Militar e a Guarda Civil Municipal.