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Polícia Civil fecha clínica de estética clandestina com anestésicos no Embaré em Santos

Investigada realizava técnicas invasivas de endolaser em consultório que não tinha desfibrilador ou oxigênio

Investigadores apreenderam materiais cirúrgicos e medicamentos em consultório que imitava um hospital, sem segurança - Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Investigadores apreenderam materiais cirúrgicos e medicamentos em consultório que imitava um hospital, sem segurança - Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Redação Publicado em 30/06/2026, às 08h51


Uma falsa médica que comandava uma clínica clandestina de estética foi parar atrás das grades. A Polícia Civil prendeu uma esteticista em flagrante após descobrir que ela realizava procedimentos cirúrgicos e invasivos de alta complexidade em um consultório sem alvará no bairro do Embaré, em Santos. De acordo com os investigadores, a mulher abusava da profissão fazendo técnicas perigosas de endolaser e aplicando anestesias injetáveis nas clientes, tarefas que a lei brasileira proíbe e deixa como exclusividade de médicos formados.

A batida policial aconteceu na tarde de quinta-feira (25) e foi coordenada pelos investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos. Com ordens judiciais de busca e apreensão nas mãos, os policiais civis revistaram um apartamento na Rua São José e o consultório estético na Rua Álvaro Alvim, locais onde a investigada guardava todo o seu arsenal de trabalho.

Apreensão de anestésicos e falta de socorro

Ao entrarem na clínica, os policiais se depararam com uma estrutura que imitava um hospital de verdade, repleta de insumos pesados. A lista de materiais apreendidos impressiona pela quantidade e pelo risco que oferecia às pacientes:

  • Aparelhos laboratoriais: Uma incubadora de plasma e uma centrífuga usada para processar amostras de sangue das clientes.
  • Produtos cirúrgicos: Pilhas de seringas descartáveis, agulhas do tipo microcânulas, instrumentos cortantes e tubos de ensaio.
  • Remédios controlados: Ampolas de medicamentos de marcas como Chlorclear e Riohex, dezenas de frascos de cloreto de sódio e anestésicos potentes como a Hyocaína e o cloridrato de lidocaína.

O que mais assustou os policiais da DIG foi o perigo de morte que as clientes corriam dentro daquele apartamento. Apesar de injetar anestesias que podem causar paradas cardíacas ou reações alérgicas graves, a esteticista não tinha nenhum equipamento básico de socorro no local. O espaço não contava com cilindros de oxigênio medicinal e muito menos com um aparelho desfibrilador para salvar alguém em caso de uma parada cardiorrespiratória.

A farsa era alimentada diariamente na internet. A profissional usava suas redes sociais para postar fotos com jaleco, divulgar tratamentos complexos e atrair novas clientes se passando por uma grande especialista no assunto. A polícia explicou que as postagens enganavam as consumidoras, fazendo com que elas acreditassem que os procedimentos eram simples e sem riscos, escondendo o perigo real das agulhadas e cortes.

A mulher até tem diploma técnico na área de estética, mas essa formação só permite tratamentos superficiais na pele, nunca procedimentos invasivos ou uso de anestesias na veia. Ela foi autuada por exercício ilegal da medicina focado no lucro e por guardar remédios de origem desconhecida. Os celulares, computadores e fichas de clientes foram levados para a delegacia e serão periciados para descobrir quantas pessoas passaram pelas mãos da falsa médica.