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Polícia resgata macacos presos em porta-malas e desmantela quadrilha em Santos

Operação resultou na prisão de quatro homens envolvidos em um esquema organizado de tráfico de animais na região de Santos

Os macacos foram encontrados trancados em um carro, sem ventilação, água ou comida, e foram levados para atendimento veterinário urgente - Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Os macacos foram encontrados trancados em um carro, sem ventilação, água ou comida, e foram levados para atendimento veterinário urgente - Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Gabriel Nubile Publicado em 13/11/2025, às 11h36


Uma operação de campana montada por policiais civis em um prédio na Rua Roberto Sandall, no bairro Ponta da Praia, terminou com o resgate de dois macacos-prego que viviam um verdadeiro drama. Os animais foram encontrados na noite de terça-feira (11) em condições precárias, trancados em uma gaiola no porta-malas de um carro, onde permaneceram por cerca de quatro horas sem qualquer tipo de ventilação adequada, água ou comida.

A ação, realizada pela equipe da 1ª Delegacia de Investigações Gerais do Deic de Santos, foi motivada por uma denúncia anônima que alertava sobre a comercialização ilegal de animais silvestres naquela região. Os agentes ficaram de plantão no local, observando a movimentação, até o momento exato em que os suspeitos retiraram os animais do veículo para concretizar a venda.

A cena encontrada pelos policiais era triste: além do calor e da falta de ar, os macacos estavam sujos, cercados pelas próprias fezes, configurando uma situação clara de maus-tratos. Imediatamente após o flagrante, os bichinhos foram retirados daquela situação de risco e levados para receber atendimento veterinário urgente.

Mercado cruel e lucrativo

A investigação revelou que o grupo agia de forma organizada para lucrar com a venda ilegal da fauna brasileira. Segundo a Polícia Civil, o comércio clandestino desses animais movimenta valores altos: um único macaco-prego pode ser vendido por mais de R$ 5 mil no mercado negro. Além dos macacos, a denúncia inicial mencionava a venda de uma iguana, animal que costuma custar cerca de R$ 1.500, mas o réptil ainda não foi localizado e as buscas continuam.

Durante a abordagem, ficou claro que cada um dos quatro presos tinha uma função específica no esquema. Foi descoberto que o transporte dos animais era feito por pai e filho. Outro integrante do grupo era responsável por receber o dinheiro das transações via PIX e também por trazer o negociador, que vinha de Itanhaém para fechar a venda em Santos.

Ao todo, quatro homens foram presos em flagrante, com idades de 19, 31, 34 e 71 anos. Um deles, inclusive, tentou resistir à prisão no momento da abordagem. A polícia também informou que um dos envolvidos já tinha passagens anteriores justamente por tráfico de animais e maus-tratos, mostrando que era reincidente na prática.

Agora, o grupo deve responder por crimes pesados: associação criminosa, tráfico de animais silvestres e maus-tratos. A Polícia Civil já pediu à Justiça que a prisão em flagrante seja convertida em preventiva, para que eles continuem detidos enquanto o caso é processado, visando frear esse tipo de negócio que ameaça as espécies nativas e o equilíbrio ambiental.