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Por segurança estrutural, Mongaguá veta projeto inicial de marginal de rodovia

Reunião no Paço Municipal apontou insuficiência técnica em plano de engenharia da CNL

Prefeitura de Mongaguá barra início de obras da Concessionária Novo Litoral na SP-055 - Imagem: Divulgação
Prefeitura de Mongaguá barra início de obras da Concessionária Novo Litoral na SP-055 - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 18/06/2026, às 09h21


A Prefeitura de Mongaguá, no litoral de São Paulo, vetou a proposta inicial apresentada pela Concessionária Novo Litoral (CNL) para o início das obras de implantação e recuperação das vias marginais da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055). O impasse ocorreu durante uma reunião técnica realizada na última terça-feira (16), no Paço Municipal, entre o secretariado, o corpo técnico da administração e representantes da concessionária.

O cronograma da CNL previa a abertura das primeiras frentes de trabalho em trechos de Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe nos próximos dias. Em Mongaguá, a proposta detalhava o início das intervenções pela Rua Tiradentes, localizada na divisa com Itanhaém, no sentido Praia Grande. No entanto, a equipe de engenharia do município barrou o andamento por identificar riscos estruturais e logísticos severos na área escolhida.

Perfil residencial e divergência sobre pavimentação

A principal divergência técnica entre a municipalidade e a concessionária envolve a capacidade de carga da via selecionada e o tipo de pavimento projetado. Atualmente, a Rua Tiradentes é revestida com bloquetes de concreto e possui características estritamente residenciais, com baixo fluxo de tráfego.

A equipe técnica municipal argumentou que o projeto apresentado pela CNL mantinha o revestimento atual em bloquetes, solução classificada pela prefeitura como insuficiente e inadequada para absorver o fluxo contínuo de veículos pesados, como caminhões e ônibus, que migrarão da rodovia para a futura marginal. A prefeita reforçou que, para a rua exercer a função de marginal, o pavimento precisa ser obrigatoriamente substituído por manta asfáltica de alta resistência, precedida de um reforço estrutural na base do solo.

Custos de manutenção e articulação estadual

A preocupação com o passivo financeiro pós-obra foi um dos fatores determinantes para a rejeição do projeto. De acordo com o secretário de Governo de Mongaguá, caso a via sofra afundamentos ou desgastes precoces devido ao tráfego pesado, o ônus e os custos de manutenção asfáltica e reparo viário recairiam sobre os cofres da Prefeitura, eximindo a concessionária. O município exige que a CNL execute toda a readequação estrutural prévia e o asfaltamento completo da extensão antes de liberar os alvarás de obra.

Diante do impasse técnico, a Prefeitura de Mongaguá informou que estuda elevar a discussão à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e ao Governo do Estado de São Paulo para mediar uma revisão no projeto executivo. A concessionária CNL informou que os apontamentos municipais foram encaminhados para análise de suas instâncias superiores de engenharia.

Macroprojeto de R$ 110 milhões

Em posicionamento oficial, a Concessionária Novo Litoral defendeu que o projeto cumpre as metas do contrato de concessão e as diretrizes do convênio original firmado entre o Estado e o município. O plano macro da concessionária prevê a readequação e a abertura de aproximadamente 90 quilômetros de vias marginais ao longo de todo o trecho da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega compreendido entre Praia Grande e Peruíbe. O pacote de investimentos privados previsto para essa frente de infraestrutura rodoviária supera o montante de R$ 110 milhões.