Expansão visa modernizar operações e atrair empresas com tecnologias de ponta para movimentação de carga

Redação Publicado em 12/02/2026, às 08h42
O Porto de Santos, principal complexo portuário da América Latina, está prestes a iniciar um novo ciclo de desenvolvimento que promete transformar a economia da região e do país. Com a publicação de uma portaria do Ministério de Portos e Aeroportos na última terça-feira (10), a área oficial do porto (chamada de poligonal) foi ampliada em 56%, saltando de 9,3 km² para 14,5 km². Com o terreno preparado, a Autoridade Portuária de Santos (APS) já traçou a meta: iniciar, a partir de 2027, as licitações para a instalação de 20 a 30 novos terminais.
O presidente da APS, Anderson Pomini, confirmou que o planejamento para ocupar esses novos espaços já está em andamento. O objetivo não é apenas aumentar a capacidade de movimentação de carga, mas modernizar a operação. Segundo Pomini, os chamamentos públicos buscarão atrair empresas dispostas a implementar tecnologias de ponta, equiparando Santos aos portos mais eficientes do mundo. "A importância estratégica deste aumento é atender o constante crescimento da economia do Brasil. Poderemos comportar mais 20 a 30 terminais no futuro", projetou.
O mapa da expansão
A incorporação de novas áreas foca em três regiões estratégicas que, até então, estavam fora da jurisdição direta do porto organizado. A "joia da coroa" é o Largo do Caneu, uma área de aproximadamente 5 km² com trechos planos e vegetação, ideal para grandes empreendimentos. Além dele, foram anexadas a área da Alemoa (114 mil m²), vizinha ao terminal da Petrobras, e a região de Monte Cabrão (180 mil m²), situada na Área Continental de Santos.
Esses locais são considerados greenfields, terrenos livres de edificações anteriores, o que permite planejar terminais do zero, com layout otimizado. É nessas áreas, especialmente no Caneu, que a APS vislumbra a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), um distrito industrial onde empresas podem operar com benefícios tributários, transformando matérias-primas e exportando produtos finais diretamente do cais.
Oportunidade x Gargalos
A expansão foi recebida com otimismo pelo mercado, mas também com cautela. João Paulo Braun, advogado especialista em Direito Marítimo, avalia que a nova poligonal traz segurança jurídica e viabiliza o conceito de "Porto-Indústria", onde fábricas operam coladas ao cais, reduzindo drasticamente custos logísticos.
Por outro lado, o crescimento físico do porto acende um alerta sobre a infraestrutura ao redor. Leandro Lopes, estrategista de políticas públicas, adverte para o risco de um "colapso" nos acessos se os investimentos em rodovias e ferrovias não acompanharem o ritmo dos novos terminais. "Quanto maior a concentração em Santos, maior o risco de lentidão. A região enfrenta acessos rodoviários saturados e conflitos urbanos. O entorno precisa crescer junto para não virar gargalo", analisou Lopes.
A expansão também contemplou a área molhada (fundeadouros e canais), que passou de 355,2 km² para 367,2 km², garantindo espaço para a manobra de navios cada vez maiores que a nova infraestrutura pretende atrair.
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