Operação realizada no domingo (12) com o cargueiro CMA CGM IRON marca início de nova era na descarbonização marítima

Redação Publicado em 14/07/2026, às 09h25
O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, foi palco de um marco histórico para a navegação comercial e a transição energética global no último domingo (12). O complexo santista realizou o primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres com etanol no Brasil, uma operação inédita que consolida o papel do país e do principal porto da América Latina na agenda de descarbonização do transporte marítimo internacional.
A operação de abastecimento (bunkering) foi realizada no cargueiro transoceânico CMA CGM IRON. Registrada sob a bandeira de Malta e integrada à logística do terminal da Santos Brasil desde 2025, a gigantesca embarcação possui capacidade nominal para transportar até 13 mil contêineres de 20 pés (TEU).
A iniciativa foi viabilizada por meio de uma cooperação estratégica multissetorial que envolveu as empresas CMA CGM, Copersucar, Santos Brasil, AGEO Terminais, Bunker One e Everllence, contando ainda com o aval de órgãos reguladores e autoridades portuárias do país.
Logística complexa e tecnologia tri-combustível
Para que o abastecimento fosse concluído com segurança e eficiência, as empresas parceiras desenharam um fluxo logístico dedicado:
Transporte e Armazenagem: O etanol de origem renovável foi transportado até o Porto de Santos e armazenado em tanques com infraestrutura específica para biocombustíveis;
Transferência: O combustível foi transferido para o navio por meio de uma barcaça especializada de abastecimento de combustíveis marítimos.
O CMA CGM IRON é o primeiro de uma série de 12 novos navios encomendados pela armadora francesa CMA CGM que saem de fábrica equipados com modernos motores tri-combustíveis, projetados e certificados para operar eficientemente com etanol.
Metas sustentáveis e Santos como "Hub Verde"
A adoção do etanol como combustível marítimo integra o plano estratégico global da CMA CGM, que estabeleceu como meta alcançar a neutralidade de emissões de carbono até o ano de 2050. Como meta intermediária, a companhia planeja ter em operação, até 2031, cerca de 200 navios porta-contêineres propulsionados por energias de baixo carbono.
De acordo com o consórcio de empresas responsável pelo projeto, o sucesso do procedimento não apenas valida o potencial do biocombustível brasileiro na navegação comercial de grande porte, como também projeta o Porto de Santos para se tornar, em curto prazo, o principal hub de combustíveis marítimos de baixo carbono para toda a América do Sul.
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