Luto

Laire Giraud, despachante aduaneiro, falece aos 81 anos

Desde a infância, Laire Giraud se fascinou pelo Porto de Santos, onde construiu uma carreira sólida e publicou seis livros sobre o tema.

Imagem: Reprodução / A Tribuna
Imagem: Reprodução / A Tribuna

Otávio Alonso Publicado em 03/03/2026, às 01h39


Laire José Giraud, despachante aduaneiro e autor de seis livros sobre o Porto de Santos, faleceu aos 81 anos após uma parada cardiorrespiratória, deixando um legado significativo na preservação da memória da cidade e do complexo portuário.

O despachante aduaneiro Laire José Giraud morreu na manhã desta segunda-feira (2), aos 81 anos, em Santos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória enquanto estava em casa; ele foi socorrido, mas não resistiu e faleceu por volta das 10h30, deixando como marca uma trajetória de décadas dedicada ao Porto de Santos, à preservação da memória da Cidade e à produção de seis livros sobre o complexo portuário.

Reconhecido como referência em assuntos ligados ao Porto de Santos, Laire construiu carreira sólida no setor aduaneiro e tornou-se também um pesquisador apaixonado pela história marítima e urbana da região.

Reconhecimento no setor portuário

O presidente da Praticagem de São Paulo, Fábio Mello Fontes, também manifestou pesar nas redes sociais e classificou Laire como um amigo inesquecível. Ele relatou que a amizade entre os dois teve início na década de 1970.

Fontes destacou que Laire nutria profunda admiração pela Cidade, pelo Porto e pelos navios, além de ter escrito com entusiasmo sobre o tema em A Tribuna. Lembrou ainda que o amigo chegou a prestar concurso para se tornar prático, mas não obteve classificação suficiente. No entanto, segundo ele, Laire se destacou amplamente no trabalho aduaneiro, sendo reconhecido pela competência e seriedade.

Fascínio pelo porto desde a infância

Em entrevista concedida ao jornal A Tribuna, publicada em 26 de janeiro de 2020, Laire compartilhou memórias sobre as transformações do Porto de Santos ao longo das décadas.

Nascido em 19 de janeiro de 1945, contou que o interesse pelo porto começou ainda na infância, quando observava a movimentação de navios na Ponta da Praia e também pela janela do consultório médico de seu pai, localizado no Centro de Santos.

Inspirado por um tio, decidiu prestar concurso para se tornar prático, com o objetivo de manobrar navios no canal do Porto. Após não alcançar a classificação necessária, abriu uma comissária de despachos aduaneiros, atividade na qual se estabeleceu profissionalmente.

Produção literária sobre o porto e a Cidade

Ao longo da vida, Laire publicou seis livros dedicados à história do Porto de Santos e da Cidade, reunindo imagens que registram desde antigos trapiches até navios de cruzeiro.

Entre as obras estão “Transatlânticos em Santos”, “Transatlânticos de Cruzeiros Marítimos”, “Photografias e Fotografias do Porto de Santos”, que apresenta imagens históricas do cais santista, “Cia Docas”, lançado em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil e que aborda a construção do segundo trecho do cais entre Paquetá e Outeirinhos, em 1902, e “Memórias da Hotelaria Santista”, voltado à história do turismo local.

Velório e sepultamento

O velório será realizado nesta terça-feira, dia 3, na Memorial Necrópole Ecumênica, a partir das 8h, com sepultamento previsto para as 15h. O cemitério está localizado na Avenida Dr. Nilo Peçanha, 50, no Marapé, em Santos.