Mobilidade urbana

Prefeitura de Santos veta proposta que colocaria manutenção de calçadas sob responsabilidade do município

Executivo afirma que proposta aprovada pela Câmara criaria despesas permanentes sem indicação de fonte de custeio e poderia comprometer recursos destinados a outras áreas de infraestrutura

Prefeitura de Santos vetou projeto aprovado pela Câmara que transferia ao município a responsabilidade pela manutenção e conservação das calçadas - Imagem: Arquivo/Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal
Prefeitura de Santos vetou projeto aprovado pela Câmara que transferia ao município a responsabilidade pela manutenção e conservação das calçadas - Imagem: Arquivo/Vanessa Rodrigues/A Tribuna Jornal

Redação Publicado em 01/09/2026, às 16h11


A Prefeitura de Santos vetou um projeto de lei que transferia a responsabilidade pela gestão das calçadas para o município, alegando que isso criaria uma obrigação permanente sem uma fonte de custeio definida, impactando financeiramente a administração local.

O projeto, aprovado pela Câmara Municipal, visava melhorar a conservação das calçadas e a acessibilidade, mas a Prefeitura argumentou que a proposta não apresentava critérios técnicos adequados e poderia aumentar os gastos públicos de forma contínua.

Com o veto, o modelo atual de responsabilidade compartilhada entre o poder público e os proprietários permanece, enquanto a administração municipal destaca a necessidade de critérios mais rigorosos para intervenções nas calçadas.

A Prefeitura de Santos vetou o projeto de lei que transferia para o município a responsabilidade pela gestão, execução, conservação e manutenção das calçadas da cidade. A decisão foi publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (1º). Segundo o Executivo, a mudança substituiria o atual modelo de responsabilidade compartilhada e criaria uma obrigação permanente para a administração municipal, com impacto financeiro e administrativo sem indicação de uma fonte específica de custeio.

A proposta, de autoria do vereador Benedito Furtado (PSB), havia sido aprovada em duas discussões pela Câmara Municipal. O texto previa que a Prefeitura passasse a responder pela zeladoria dos passeios localizados diante de imóveis públicos e privados.

Na justificativa do veto, a administração municipal argumentou que a legislação em vigor divide responsabilidades. O poder público atua diretamente em intervenções de interesse coletivo, enquanto os proprietários dos imóveis permanecem responsáveis pela conservação rotineira das respectivas calçadas.

Segundo o Executivo, a transferência integral da responsabilidade para o município criaria uma demanda contínua e distribuída por diferentes regiões da cidade. A Prefeitura sustenta que assumir todas as intervenções poderia aumentar os gastos públicos de maneira permanente e reduzir a disponibilidade de recursos para outros investimentos em infraestrutura. Outro ponto mencionado na justificativa é a ausência, na proposta, de uma fonte de custeio para as novas despesas.

O município também argumentou que determinadas situações poderiam fazer com que o poder público assumisse custos decorrentes de danos provocados por terceiros. A Prefeitura apresentou ressalvas aos critérios estabelecidos para determinar a ordem das intervenções. Segundo a justificativa do veto, alguns aspectos do projeto não apresentariam parâmetros técnicos suficientes para orientar a execução das obras. Um dos pontos questionados é a utilização da classificação viária como principal referência para definir quais calçadas deveriam receber atendimento primeiro.

O projeto estabelecia uma ordem progressiva de prioridade formada por vias arteriais, vias de trânsito rápido, vias coletoras e, por último, vias locais. A execução dependeria, segundo o próprio texto aprovado, da capacidade operacional e da disponibilidade orçamentária do município.

O projeto de Benedito Furtado propunha que a Prefeitura assumisse as intervenções necessárias para promover maior padronização dos passeios públicos. A proposta foi inspirada, segundo o vereador, no projeto denominado “Calçada para Todos”. Na justificativa apresentada à Câmara, Furtado argumentou que problemas de conservação das calçadas podem dificultar a circulação de pedestres e o acesso a equipamentos públicos e privados, como pontos de ônibus, escolas, policlínicas e hospitais. A intenção declarada era ampliar a zeladoria urbana e melhorar as condições de acessibilidade no município.

Apesar da transferência da responsabilidade principal para o município, o projeto não proibia que proprietários continuassem realizando obras nas calçadas em frente aos próprios imóveis. Nesse caso, as intervenções voluntárias teriam de seguir os parâmetros técnicos estabelecidos pela legislação municipal. O texto também definia critérios para determinar quando uma calçada precisaria ser totalmente reconstruída.

Se uma obra atingisse 30% ou mais da área total do passeio diante do imóvel, a proposta previa a reconstrução integral daquela frente. Quando a intervenção alcançasse menos de 30%, seriam permitidos reparos pontuais.

Com o veto do Executivo, permanece vigente o modelo citado pela Prefeitura, no qual a conservação das calçadas é dividida entre o poder público e os proprietários, conforme a natureza da intervenção. A administração municipal sustenta que a alteração aprovada pelos vereadores produziria efeitos financeiros contínuos e exigiria critérios técnicos adicionais para ser executada.