Justiça e meio ambiente

Projeto de CT do Santos em Praia Grande vira alvo de ação judicial

Pedido na Justiça tenta barrar licenciamento de centro de treinamento por possíveis impactos ambientais em área próxima à Mata Atlântica

Área prevista para o novo centro de treinamento do Santos, em Praia Grande, está no centro de disputa judicial envolvendo questões ambientais e urbanísticas - Imagem: Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande
Área prevista para o novo centro de treinamento do Santos, em Praia Grande, está no centro de disputa judicial envolvendo questões ambientais e urbanísticas - Imagem: Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande

Redação Publicado em 31/03/2026, às 16h31


A construção do novo centro de treinamento do Santos Futebol Clube em Praia Grande enfrenta uma ação popular que questiona seu licenciamento, destacando um conflito entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental na região da Baixada Santista.

Os autores da ação alertam para riscos ambientais, já que o terreno está próximo à Mata Atlântica e ao Parque Estadual Xixová-Japuí, e criticam a falta de consultas públicas sobre o projeto.

Enquanto isso, os responsáveis pelo projeto afirmam que estão cumprindo todas as exigências legais e ambientais, e a Justiça ainda não se pronunciou sobre o pedido de suspensão das obras, que permanece em análise.

A proposta de construção de um novo centro de treinamento do Santos Futebol Clube, em Praia Grande, passou a ser questionada judicialmente e abriu um novo capítulo de debate entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental na Baixada Santista.

Uma ação popular protocolada recentemente solicita a suspensão imediata do processo de licenciamento e de qualquer avanço nas obras do empreendimento, conhecido como “CT Vila Praia Grande”. O projeto, anunciado em 2025 por Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr., prevê a implantação de uma estrutura esportiva em uma área superior a 90 mil metros quadrados, nas proximidades do Litoral Plaza Shopping, na entrada da cidade.

Os autores da ação apontam possíveis riscos ambientais, destacando que o terreno está situado em uma área de influência da Mata Atlântica e nas imediações do Parque Estadual Xixová-Japuí, região considerada sensível do ponto de vista ecológico. Segundo os questionamentos apresentados, a área funcionaria como zona de amortecimento, essencial para a preservação da biodiversidade local, incluindo espécies ameaçadas.

Além da preocupação ambiental, a ação também levanta críticas sobre a ausência de debate público. De acordo com os autores, não houve realização de audiências ou consultas populares para discutir os impactos e benefícios do projeto junto à população.

O processo tem como partes envolvidas o poder público municipal, a Câmara de Vereadores, além de empresas ligadas ao empreendimento, responsáveis pelo financiamento e desenvolvimento da estrutura. Para fundamentar o pedido, foram reunidas assinaturas em apoio à contestação e referências a um inquérito civil já instaurado pelo Ministério Público de São Paulo, que acompanha o caso.

Por outro lado, representantes do projeto afirmam que todas as etapas seguem as exigências legais e ambientais vigentes. Em nota, o grupo responsável pelo empreendimento informou que o planejamento respeita o Plano Diretor do município, o plano de manejo do parque estadual e as diretrizes dos órgãos ambientais competentes, incluindo medidas de compensação e mitigação de impactos.

Até o momento, a Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido de liminar. O caso segue em análise, enquanto órgãos públicos e entidades envolvidas aguardam os próximos desdobramentos.