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Projeto-piloto em Santos agiliza medidas protetivas e dispensa ida de vítimas à delegacia

Policiais militares poderão formalizar denúncias e avaliar riscos durante o atendimento na residência

A cidade de Santos é pioneira em registrar boletins de ocorrência de violência doméstica no local, garantindo agilidade e segurança às vítimas - Foto: Divulgação/ Governo de SP
A cidade de Santos é pioneira em registrar boletins de ocorrência de violência doméstica no local, garantindo agilidade e segurança às vítimas - Foto: Divulgação/ Governo de SP

Redação Publicado em 11/03/2026, às 08h38


O atendimento a mulheres vítimas de agressão vai ganhar um reforço tecnológico importante em Santos. A partir deste mês, a cidade será a primeira de todo o estado de São Paulo a testar uma ferramenta que permite que a Polícia Militar registre o boletim de ocorrência (BO) na hora, sem que a vítima precise sair de casa. O anúncio foi feito nesta terça-feira (10) e promete mudar como o estado lida com o ciclo de violência doméstica, garantindo que o caso chegue à Delegacia da Mulher em tempo real.

Na prática, se os policiais forem chamados e não houver uma situação de prisão em flagrante ou crime de estupro, eles mesmos preenchem os dados no sistema ali mesmo, na calçada ou dentro da residência. A ideia é acolher aquela mulher que, muitas vezes, desiste de denunciar porque não tem com quem deixar os filhos, não possui dinheiro para a passagem de ônibus ou simplesmente está aterrorizada demais para encarar uma delegacia logo após o trauma.

Avaliação de risco e socorro rápido

O "olhar" atento das autoridades com esse novo módulo, chamado Riesp-DV, vai além do simples papel. Com a permissão da vítima, o policial preenche um formulário detalhado que ajuda a entender o nível de perigo que ela corre. Confira as principais vantagens da mudança:

  • Agilidade no Judiciário: com as informações colhidas na hora, a Polícia Civil consegue pedir medidas protetivas, como o afastamento do agressor, com muito mais velocidade.
  • Rede de apoio conectada: o sistema avisa automaticamente outros serviços, como a Casa da Mulher e o programa Guardiã Maria da Penha, permitindo um acompanhamento social e de saúde imediato.
  • Fim do silêncio: ao facilitar o registro, o governo espera que menos casos fiquem "escondidos" dentro de quatro paredes por falta de formalização da denúncia.

Por que Santos foi escolhida?

A escolha de Santos como o "laboratório" desse projeto não foi por acaso. A integração entre a Guarda Civil Municipal, a PM e a Polícia Civil já é uma realidade na cidade, que conta com reuniões constantes e estratégias alinhadas. Segundo os secretários de segurança, essa união foi o que permitiu que o sistema fosse implementado de forma tão rápida e organizada no município.

Após um período de 30 dias de testes em solo santista, um comitê vai avaliar os resultados para decidir como levar a ferramenta para o restante de São Paulo. Para as autoridades, o combate à violência doméstica é um desafio constante justamente por acontecer no ambiente familiar, e facilitar o acesso da polícia a esse ambiente é um passo decisivo para ampliar a rede de proteção e salvar vidas.