Modelo de convivência e cultura da paz da EE Parque dos Sonhos vai inspirar rede estadual em regiões de alta vulnerabilidade.

Ana Beatriz Publicado em 10/01/2026, às 11h36
O projeto pedagógico que transformou a Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, no litoral de São Paulo, em referência internacional de educação será implantado em 100 escolas da rede estadual a partir do próximo ano letivo. A iniciativa, anunciada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), busca replicar práticas de convivência, acolhimento e não violência que renderam à unidade o prêmio World’s Best School 2025, concedido pela organização global T4 Education.
Antes conhecida como “Parque dos Pesadelos” devido a episódios recorrentes de violência e evasão escolar, a escola passou por uma transformação profunda a partir de 2016, quando adotou um projeto humanista focado na construção de vínculos, no protagonismo estudantil e na cultura da paz. O reconhecimento internacional veio na categoria “Superando a Adversidade”, destacando o impacto real da metodologia na comunidade.
Inspirada nesse resultado, a Seduc-SP criou a Rede Escola dos Sonhos, que levará parte dessas práticas a instituições localizadas em áreas com altos índices de vulnerabilidade social. Segundo a secretaria, o projeto não será aplicado de forma padronizada: cada escola adotará as ações mais adequadas à sua realidade.
À frente da mudança em Cubatão, o diretor Régis Marques destaca que a escola não registra boletins de ocorrência por invasão ou vandalismo desde 2021. Entre as iniciativas implantadas estão atividades esportivas, culturais e educacionais, como teatro, robótica, jornal escolar, podcast, banda marcial, esportes olímpicos e projetos de aproximação com as famílias, como o programa “A Escola Vai à Sua Casa”, no qual professores visitam as residências dos alunos.
O modelo de expansão será acompanhado pelo Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) e terá como base três pilares: formação continuada dos profissionais, acompanhamento territorial das unidades e implementação de práticas pedagógicas e de convivência.
Para o secretário estadual de Educação, Renato Feder, a iniciativa consolida uma política pública voltada à transformação das relações escolares. “A proposta sistematiza práticas exitosas que promovem um clima escolar positivo, fortalecem a mediação de conflitos e ampliam a participação dos estudantes”, afirmou em nota.
As 100 escolas beneficiadas serão indicadas por mais de 20 Unidades Regionais de Ensino, incluindo regiões da capital, Grande São Paulo, interior e litoral. A expectativa da pasta é que o projeto se torne um modelo permanente para a rede estadual.
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