Saúde

Quando investigar a imunidade das crianças? Especialista aponta critérios clínicos

Pediatra explica por que crianças adoecem com frequência na fase escolar e detalha quais sintomas indicam problemas de imunidade infantil

Criança "vive gripada"? Saiba quando a frequência de resfriados deixa de ser normal - Imagem: Divulgação
Criança "vive gripada"? Saiba quando a frequência de resfriados deixa de ser normal - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 27/08/2026, às 10h51


A sequência de resfriados, tosse e febre após o início da rotina escolar é uma das principais queixas nos consultórios pediátricos e costuma gerar preocupação nas famílias. No entanto, a pediatra Gorete Garcia, da Hapvida, explica que ter episódios infecciosos frequentes nos primeiros anos de vida não é sinônimo automático de baixa imunidade ou deficiência nas defesas do organismo, mas sim o reflexo natural do amadurecimento do sistema imunológico em contato com novos vírus e ambientes coletivos.

  • “É muito comum os pais chegarem ao consultório preocupados porque a criança parece estar sempre resfriada. Muitas vezes, o que acontece é uma sequência de infecções virais diferentes. A frequência é aumentada principalmente após a criança começar a frequentar a escola. É preciso observar não apenas quantas vezes a criança adoece, mas a intensidade das infecções, como ela se recupera e como está seu crescimento e desenvolvimento”, explica a médica.

Quando o quadro respiratório exige investigação clínica

A especialista reforça que, na creche ou no colégio, o compartilhamento de espaços fechados e objetos multiplica a exposição aos agentes patógenos, permitindo que a criança construa sua memória imunológica. Por isso, a contagem de viroses comuns isoladas não basta para justificar baterias de exames de sangue ou encaminhamentos precoces.

O sinal de alerta para investigar a imunidade surge quando as doenças fogem do padrão habitual de recuperação e gravidade.

  • “Quando temos uma criança que apresenta infecções de maior gravidade, precisa ser internada repetidamente, demora muito para responder ao tratamento ou não apresenta crescimento adequado, precisamos olhar para esse quadro de forma diferente. Nesses casos, o pediatra avalia o histórico e pode indicar exames ou encaminhamento para um especialista”, pontua Gorete Garcia.

Critérios como pneumonias repetidas, uso prolongado de antibióticos, infecções de ouvido de difícil controle, perda de peso e histórico familiar de imunodeficiência exigem atenção multidisciplinar.

Mitos sobre alimentação e a importância dos hábitos

Outro ponto frequente de desinformação é a busca por suplementos vitamínicos ou "alimentos milagrosos" capazes de blindar a saúde infantil. A pediatra esclarece que a proteção efetiva decorre de um conjunto de hábitos: dieta equilibrada com frutas, verduras e proteínas conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), boas noites de sono, vacinação rigorosamente em dia e medidas básicas de higiene, como a lavagem regular das mãos.

  • “Não existe um alimento milagroso para imunidade. O que funciona é o conjunto: uma alimentação adequada para a idade, sono de qualidade, atividade física, vacinação e acompanhamento da saúde da criança. Suplementar sem necessidade não significa deixar a criança mais protegida”, finaliza a especialista.