Hapvida

Quase metade dos brasileiros nunca ouviu falar em ceratocone, revela pesquisa

Levantamento mostra que 45,8% desconhecem a doença; oftalmologista da Hapvida explica sinais que costumam ser confundidos com simples troca de grau nos óculos

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Redação Publicado em 26/08/2026, às 10h04


Precisar trocar os óculos com frequência pode parecer apenas um efeito natural do crescimento, sobretudo na adolescência, mas também pode indicar o início do ceratocone. A condição provoca o afinamento progressivo da córnea, que passa a apresentar uma curvatura irregular e mais pontuda, comprometendo a qualidade da visão.

Uma pesquisa brasileira divulgada em julho de 2026 pela Revista Brasileira de Oftalmologia, feita com 879 adultos, revelou que 45,8% dos entrevistados nunca haviam ouvido falar sobre o ceratocone, e apenas 31,5% afirmaram conhecer a doença. O levantamento também identificou que 42,1% dos participantes relataram ter alergia ocular e 31,3% disseram esfregar os olhos com frequência — um hábito que exige atenção redobrada em pessoas predispostas à condição.

De acordo com o oftalmologista da Hapvida, Jae Min Lee, o ceratocone tem forte componente genético e costuma surgir principalmente na fase da adolescência. Ele explica que, apesar da predisposição genética, a doença normalmente começa a aparecer por volta dos 13 ou 14 anos, avançando durante a adolescência e o início da vida adulta, até se estabilizar, em média, perto dos 25 anos — sendo rara qualquer progressão depois dos 30.

O médico destaca que, no início, os sintomas podem passar despercebidos, e que um dos primeiros indícios costuma ser justamente a mudança no grau dos óculos, especialmente o aumento do astigmatismo. Segundo ele, como o paciente enxerga melhor após atualizar a lente, é comum confundir esse sinal com uma simples necessidade de ajuste na correção visual, quando na verdade pode ser o início do ceratocone.

Com o avanço da doença, no entanto, os óculos podem deixar de garantir uma boa visão. Jae Min Lee reforça que aumentos rápidos de grau, principalmente de astigmatismo, merecem atenção do oftalmologista — já que nem toda alteração indica ceratocone, mas mudanças frequentes ou intensas, sobretudo em crianças e adolescentes, justificam uma avaliação e, se necessário, exames específicos para confirmar ou afastar o diagnóstico.

Diagnóstico precoce pode mudar a evolução

Detectar o ceratocone logo no início é fundamental, já que existem tratamentos capazes de conter ou estabilizar seu avanço. Entre eles está o crosslinking corneano, procedimento que fortalece a estrutura da córnea e pode impedir a progressão da doença.

O oftalmologista explica que identificar a condição precocemente muda seu curso, pois permite agir antes que ela avance. Segundo ele, os óculos corrigem a visão, mas não impedem a evolução do ceratocone — já o crosslinking, quando indicado, consegue estabilizar a córnea e interromper o processo.

Ele pondera, contudo, que o tratamento não cura a doença: o paciente continua com ceratocone, mas o objetivo é mantê-lo estável, principalmente quando a intervenção ocorre ainda na fase inicial.

Sinais que merecem atenção

  • Grau dos óculos aumentando de forma rápida ou constante;
  • Astigmatismo com elevação expressiva;
  • Miopia evoluindo de forma acelerada;
  • Visão embaçada ou com distorções;
  • Dificuldade visual mesmo com óculos atualizados;
  • Necessidade constante de trocar a correção visual;
  • Coceira ou hábito repetido de esfregar os olhos;
  • Mudanças na visão surgindo durante a adolescência.

Cuidados importantes

  • Manter acompanhamento oftalmológico regular durante a infância e adolescência;
  • Levar ao oftalmologista qualquer alteração frequente no grau;
  • Evitar esfregar os olhos de forma repetitiva;
  • Buscar avaliação médica em casos de alergia ocular e coceira constante;
  • Lembrar que óculos corrigem a visão, mas não interrompem o avanço do ceratocone;
  • Realizar exames específicos sempre que houver suspeita da doença;
  • Considerar que, quanto mais cedo a progressão for identificada, maiores as chances de estabilização com o tratamento adequado.