Animal perdeu duas garras em acidente em fevereiro quando descia de árvore para urinar e defecar no solo

Redação Publicado em 22/05/2026, às 09h12
Após passar por uma delicada cirurgia e enfrentar dois meses de intensa recuperação, uma fêmea adulta de bicho-preguiça conseguiu vencer as estatísticas e retornou ao seu habitat natural na Mata Atlântica. O animal havia sido atropelado em uma rodovia no município de Juquiá, no Vale do Ribeira, e sua soltura foi realizada nesta semana em uma área totalmente preservada do Parque Estadual Carlos Botelho, em Sete Barras.
O acidente aconteceu em fevereiro, no momento em que o mamífero descia de uma árvore rumo ao solo para realizar suas necessidades fisiológicas, um comportamento instintivo e de alta vulnerabilidade da espécie, que ocorre apenas uma vez a cada sete ou dez dias.
Apesar do forte impacto do atropelamento, os exames clínicos realizados logo após o resgate não apontaram nenhuma hemorragia ou lesão em órgãos internos. No entanto, a pata dianteira esquerda sofreu o maior impacto: duas das três garras do animal estavam em estado crítico e completamente esmagadas, exigindo uma intervenção médica imediata.
Cirurgia de amputação e reabilitação complexa
Para garantir a sobrevivência do bicho-preguiça, a equipe de veterinários precisou realizar uma cirurgia detalhada para amputar por completo duas das garras feridas, conseguindo preservar apenas uma parte da terceira. A perda desses membros é considerada um desafio imenso para a espécie, já que as garras longas funcionam como ganchos anatômicos indispensáveis para que elas se desloquem entre as copas das árvores e permaneçam penduradas nos galhos por horas.
Toda a complexa fase de reabilitação pós-operatória aconteceu no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Registro. Durante os 60 dias de internação, os biólogos e veterinários concentraram esforços no manejo da dor, na cicatrização dos tecidos e na adaptação motora do bicho às suas novas condições físicas, estimulando-a a escalar superfícies mesmo com a ausência das garras.
De acordo com notas técnicas emitidas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado (Semil), o processo exigiu cuidados minuciosos porque as preguiças são animais extremamente sensíveis ao estresse do cativeiro. As equipes precisaram fazer um monitoramento rigoroso da temperatura dos recintos, da ambientação do espaço com folhagens naturais e de uma dieta restrita para evitar disfunções digestivas.
Retorno seguro e papel na reprodução
Com a reabilitação considerada um sucesso absoluto, a fêmea recebeu alta médica e foi transportada para uma área de preservação ambiental com características de vegetação idênticas ao seu local de origem.
A gestora do Parque Estadual Carlos Botelho, Nathalia Zandomenegui, enfatizou que o resgate e a devolução do bicho-preguiça representam uma grande vitória para a biodiversidade regional, visto que o parque oferece um ecossistema blindado contra a ação humana e ideal para que ela continue sua vida de forma autônoma.
"A devolução em uma Unidade de Conservação também contribui para o fortalecimento da população local de preguiças-da-mata-atlântica, especialmente por se tratar de uma fêmea adulta e apta à reprodução”, celebrou a gestora Nathalia Zandomenegui.
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