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Rossandro Klinjey fala sobre polarização e saúde mental: "As pessoas fogem da reflexão porque não são treinadas para isso"

Entrevista revela como a sociedade pós-pandemia enfrenta uma crise emocional e a importância da reflexão para superá-la

O psicólogo analisa como o extremismo político e a polarização afetam a saúde mental e as relações interpessoais - Foto: CBN Santos
O psicólogo analisa como o extremismo político e a polarização afetam a saúde mental e as relações interpessoais - Foto: CBN Santos

Gabriella Souza Publicado em 19/11/2025, às 14h03


Em entrevista exclusiva para CBN Santos, o psicólogo, escritor e palestrante Rossandro Klinjey fez uma análise sobre o comportamento humano na sociedade pós-pandemia, marcada por polarização e um aumento dramático da dor emocional. O especialista, que esteve na cidade para a palestra "As 5 Faces do Perdão", destacou a necessidade urgente de reflexão e autoconhecimento como antídotos para o que chamou de "tempestade perfeita" do caos social.

Klinjey iniciou a conversa abordando como a sociedade global está formatada para fugir da reflexão, seja através do consumo excessivo de séries, vícios ou redes sociais.

"As pessoas fogem da reflexão porque não são treinadas para isso", afirmou.

Ele ressaltou que a dificuldade em "manejar a dor que vem da reflexão" é um fator-chave, afetando especialmente os homens, que em sua visão são menos treinados para refletir ao contrário das mulheres.

Estatísticas sobre suicídio

O psicólogo apresentou dados alarmantes que ilustram a profundidade do sofrimento social.

"A dor humana aumentou muito, juntou pandemia, polarização política, juntou rede social", disse Klinjner.

Em um ponto de inflexão na história, ele citou o ano de 2019 como exemplo de estatísticas para o suicídio.

"Naquele ano, 700 mil pessoas morreram de morte violenta, que é quando alguém mata alguém. Mas naquele ano, pela primeira vez, um milhão de pessoas se matou. Ou seja... Tiraram a própria vida. É mais fácil hoje você se matar do que alguém te matar", concluiu.

O foco excessivo no mundo externo, com tecnologias e avanços como IA e robótica, deixou a "alma estancada", resultando em uma geração jovem que enfrenta um mundo mais complexo com "menos recursos emocionais de enfrentamento." Ele alerta que hoje é mais fácil perder um filho em casa, no quarto, do que vivendo os perigos da rua.

Falsa bandeira da polarização

Klinjey analisou o extremismo político, que ressurge a cada 70 anos durante grandes transformações sociais e tecnológicas. Ele argumenta que é mais cômodo culpar a esquerda, a direita ou o imigrante do que entender a complexidade das mudanças sistêmicas. O isolamento emocional fragiliza as pessoas, que buscam "pertencimento" em grupos (políticos, religiosos, esportivos), rompendo relações pessoais.

"Não é seu grupo de WhatsApp político que vai te apoiar num dia difícil", criticou.

A cura, segundo Klinjey, passa por uma "reforma íntima", que exige o reconhecimento das próprias "sombras emocionais" sem autotortura. Ele citou uma pesquisa do IBGE onde a maioria dos brasileiros se diz honesta, mas classifica o país como desonesto, e deixa claro o egocentrismo.

Poder do perdão

Finalizando a entrevista, Rossandro Klinjey preparou o público para o tema de sua palestra: o perdão. Assim, ele cita pesquisas médicas sobre doenças provocadas pelo ódio e a raiva. Para ele, o ressentimento é um "caos do passado" que aprisiona metade da população, enquanto a outra metade se perde na ansiedade do futuro.

"Perdoar é tirar toda essa energia presa no passado para ficar disponível para você... Quando eu não perdoo, eu permito que o passado continue destruindo o meu presente e inviabilizando o meu futuro".

O psicólogo concluiu que o perdão não é um ato intelectual, mas um processo emocional que liberta a energia para viver no presente.