INFRAESTRUTURA URBANA

Santos busca solução inédita com BNDES para corrigir prédios tortos da orla

Prefeitura negocia financiamento para reaprumo de edifícios e avanço em obras de drenagem; proposta pode virar modelo nacional

Orla de Santos concentra dezenas de prédios inclinados; projeto busca financiamento inédito para correção estrutural. - Imagem: Karime Xavier / Folhaexpress
Orla de Santos concentra dezenas de prédios inclinados; projeto busca financiamento inédito para correção estrutural. - Imagem: Karime Xavier / Folhaexpress

Redação Publicado em 26/03/2026, às 18h02


A prefeitura de Santos iniciou negociações com o BNDES para um modelo de financiamento destinado à correção dos 'prédios tortos' da orla, buscando uma solução para um problema urbano histórico que afeta a cidade.

Um levantamento municipal identificou 319 edifícios inclinados, com 65 localizados na orla, resultado de fundações inadequadas e do solo arenoso da região, o que gera preocupações estruturais e financeiras para os moradores.

A proposta já recebeu aprovação inicial do BNDES e está em fase de análise técnica, jurídica e operacional, mas sua implementação depende da adesão dos condomínios e da viabilidade das obras, podendo transformar Santos em um modelo nacional para a recuperação de edificações inclinadas.

Um dos problemas urbanos mais emblemáticos da Santos pode estar mais perto de uma solução. A prefeitura iniciou tratativas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para viabilizar um modelo de financiamento voltado à correção dos chamados “prédios tortos” da orla.

A proposta foi apresentada em reunião realizada no Rio de Janeiro e prevê a criação de um mecanismo inédito no país: crédito estruturado para intervenções em edifícios privados com problemas estruturais.

O fenômeno dos prédios inclinados em Santos é antigo e está diretamente ligado ao tipo de fundação utilizado há décadas, combinado às características do solo arenoso da região. Um levantamento da prefeitura aponta que existem 319 edifícios com algum nível de inclinação na cidade — sendo 65 deles concentrados na orla, entre os canais 2 e 6, em bairros como Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida.

A iniciativa conta com o apoio da Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados, que desde 2024 articula soluções para reduzir os impactos estruturais e financeiros enfrentados pelos moradores.

Como referência técnica, foi apresentado ao BNDES o caso do edifício Núncio Malzoni, que passou por um processo de reaprumo após registrar inclinações superiores a 2 graus. A intervenção, acompanhada por especialistas, mostrou que é possível corrigir a estrutura com segurança — embora o custo ainda seja um dos principais desafios.

Além da questão estrutural dos prédios, a prefeitura também avançou nas discussões sobre projetos de macrodrenagem da orla. A proposta inclui a modernização e ampliação dos sistemas ligados ao Centro de Controle Operacional (CCO), com foco na prevenção de alagamentos e no escoamento eficiente da água.

Segundo a administração municipal, parte dessas iniciativas já recebeu sinal verde inicial do BNDES e seguirá para análise técnica, jurídica e operacional.

A concretização do financiamento depende não apenas da aprovação do banco, mas também da adesão dos condomínios e da viabilidade individual de cada obra. Ainda assim, o projeto é visto como um possível divisor de águas para cidades com desafios estruturais semelhantes.

Se aprovado, o modelo pode transformar Santos em referência nacional na recuperação de edificações inclinadas — um problema que há décadas faz parte da paisagem urbana da cidade.