Prédios inclinados

Santos diz que prédios tortos da orla não precisam de intervenção estrutural no momento

Prefeitura afirma que avaliação é baseada em laudos técnicos dos condomínios, enquanto proposta de financiamento para obras de reaprumo ainda não avançou junto ao BNDES

Prédios inclinados na orla de Santos são acompanhados por meio de laudos técnicos; segundo a Prefeitura, nenhum deles necessita de intervenção estrutural neste momento - Imagem: A Tribuna Jornal
Prédios inclinados na orla de Santos são acompanhados por meio de laudos técnicos; segundo a Prefeitura, nenhum deles necessita de intervenção estrutural neste momento - Imagem: A Tribuna Jornal

Redação Publicado em 12/08/2026, às 16h02


A Prefeitura de Santos informou que nenhum dos prédios inclinados da orla requer intervenção estrutural no momento, com acompanhamento contínuo e laudos técnicos realizados pelos próprios condomínios. Essa situação, embora não apresente riscos imediatos, gera preocupações sobre a necessidade de futuras correções.

O desaprumo dos edifícios é atribuído a características do solo e técnicas de fundação inadequadas utilizadas em construções antigas, resultando em deformações que afetam a estabilidade. A estimativa de custo para o reaprumo varia entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões por edifício, dependendo das especificidades de cada um.

A Prefeitura está em busca de um modelo de financiamento com o BNDES para ajudar os proprietários, mas ainda não há um acordo formal. Enquanto isso, os edifícios continuam a ser monitorados, com vistorias programadas a cada dois anos, e a administração municipal enfatiza a necessidade de planejamento para intervenções futuras.

A Prefeitura de Santos informou que, atualmente, nenhum dos prédios inclinados da orla necessita de intervenção estrutural. A avaliação consta em resposta da Secretaria de Obras e Edificações (Seobe) a um requerimento da Câmara Municipal e considera laudos técnicos elaborados por profissionais contratados pelos próprios condomínios. Segundo a administração, os imóveis continuam sendo acompanhados e novas intervenções poderão ser avaliadas conforme a evolução de cada caso.

A prefeitura confirmou ainda que mantém um levantamento dos edifícios que apresentam desaprumo, mas decidiu não divulgar a relação. Segundo o município, a exposição dos imóveis poderia interferir em negociações e gerar prejuízos no mercado imobiliário.

A legislação municipal determina que proprietários e condomínios realizem vistorias preventivas e apresentem laudos técnicos capazes de identificar anomalias, suas características e possíveis causas. De acordo com a Seobe, a evolução das inclinações é acompanhada por meio desses documentos, produzidos individualmente para cada edifício.

Financiamento para o reaprumo ainda não foi definido

Uma das alternativas discutidas para corrigir a inclinação dos prédios é a criação de uma linha de financiamento com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Uma proposta apresentada em abril previa que moradores de até 319 edifícios inclinados pudessem contratar crédito para custear as obras, enquanto a Prefeitura de Santos atuaria como garantidora. A iniciativa, porém, ainda não resultou em um acordo formal. Em resposta mais recente, a Secretaria de Governo informou que não existe, até o momento, pactuação, definição ou compromisso oficial firmado com o BNDES para viabilizar o financiamento.

A administração municipal afirma que o tema ainda depende de análises técnicas, jurídicas e financeiras. Entre os desafios está o fato de os imóveis serem particulares, enquanto a atuação do banco é predominantemente direcionada a projetos de infraestrutura e iniciativas que tenham interesse público. A estimativa apresentada ao BNDES aponta um custo de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões por edifício, dependendo das características e das necessidades de cada construção.

Por que os prédios de Santos inclinam?

O desaprumo dos edifícios está relacionado principalmente às características do solo da região e às técnicas de fundação utilizadas entre as décadas de 1950 e 1980. Segundo o engenheiro Paulo Pimenta, a área da orla possui uma camada de areia com aproximadamente 10 metros de profundidade. Abaixo dela há uma camada de argila marinha muito mole, formada pela deposição de sedimentos ao longo de milhares de anos.

As construções mais antigas foram erguidas com fundações que não alcançavam as camadas mais profundas e resistentes do terreno. Com o peso das edificações, o solo sofreu deformações que contribuíram para o deslocamento dos prédios.

A proximidade entre algumas construções também pode influenciar o comportamento do terreno. Conforme explicou o engenheiro, edifícios construídos em sequência podem interferir uns nos outros e apresentar inclinações em direções semelhantes ou opostas.

Situação atual não indica risco estrutural

Apesar da inclinação visível em parte dos edifícios, a avaliação apresentada pela Prefeitura de Santos aponta que os prédios acompanhados atualmente não apresentam necessidade de intervenção estrutural. Segundo a administração municipal, os laudos técnicos são atualizados periodicamente, com vistorias previstas a cada dois anos.

O engenheiro Paulo Pimenta, porém, ressalta que o acompanhamento não elimina a necessidade de planejamento para o futuro. De acordo com ele, a inclinação pode provocar novos esforços sobre estruturas que não foram originalmente projetadas para permanecer fora do prumo.

Estudos citados na reportagem indicam que os prédios analisados ainda possuem uma margem de segurança estimada entre 10 e 15 anos. Esse período, segundo o especialista, permitiria buscar alternativas de financiamento, desenvolver projetos e organizar as obras de correção. A solução definitiva depende, contudo, de avaliações individualizadas, já que cada edifício apresenta características próprias de fundação, estrutura e grau de inclinação.

Obras podem chegar a milhões de reais por edifício

O reaprumo exige intervenções específicas e de alto custo. Uma obra realizada anteriormente em um dos condomínios serviu como referência para atualizar as estimativas apresentadas ao BNDES. Na época, o serviço custou cerca de R$ 1,5 milhão. Com a atualização dos valores e considerando as diferenças entre os imóveis, a estimativa atual passou para uma faixa de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões por prédio.

A Prefeitura de Santos ainda busca uma modelagem que permita viabilizar o crédito para condomínios particulares sem que o poder público transfira diretamente recursos para imóveis privados. Enquanto não há definição sobre o financiamento, os edifícios seguem submetidos ao acompanhamento técnico dos respectivos condomínios e às exigências de vistoria previstas na legislação municipal.