Iniciativa federal visa acolher e apoiar famílias de vítimas de violência estatal contemporânea em Santos, SP.

Redação Publicado em 05/03/2026, às 02h49
O governo federal lançou o primeiro Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado em Santos, com o objetivo de preservar a memória das vítimas e oferecer apoio psicossocial e jurídico às famílias afetadas pela violência estatal contemporânea.
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (4), a criação do primeiro Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado (CMVV) do país. A sede do novo equipamento será em Santos, no litoral paulista, em um imóvel da União, situado em frente à Bolsa do Café. O espaço tem como objetivo preservar a memória das vítimas de violência estatal contemporânea e oferecer apoio psicossocial e jurídico aos familiares.
A ministra de Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, participou do evento de lançamento e destacou a importância do centro como um espaço de acolhimento e reparação. Segundo ela, a proposta do CMVV é também integrar políticas de não repetição e promover o direito à memória, com o objetivo de evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.
Por que Santos?
A cidade foi escolhida como sede do projeto-piloto devido à sua história recente marcada por operações policiais como as de "Escudo" e "Verão", que resultaram em dezenas de mortes entre 2023 e 2024, além dos Crimes de Maio, que envolveram confrontos violentos na Baixada Santista, com mais de 100 mortes.
Com um investimento inicial de R$ 3,5 milhões, o CMVV de Santos trabalhará em conjunto com o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Cais), ampliando a oferta de suporte jurídico e psicológico para as vítimas e suas famílias. A estrutura também se integrará ao movimento social, contando com a participação de figuras como Débora Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, que considera a inauguração do centro um marco na luta pela memória e reparação.
A implementação do CMVV é vista como um passo importante para o cumprimento de uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que havia condenado o Brasil pela impunidade em casos de violência estatal, como uma chacina na Amazônia.
O centro estará em funcionamento ainda neste semestre e será a primeira iniciativa federal voltada à preservação da memória das vítimas e ao apoio direto aos seus familiares.
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