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Santos registra coeficiente de tuberculose seis vezes maior que a média de SP, alerta Dr. Marcos Caseiro

Com forte determinação social, a doença afeta principalmente as populações vulneráveis em Santos e região

O médico destaca a importância do tratamento contínuo e os riscos do abandono, que agravam a resistência aos medicamentos - Foto: CBN Santos
O médico destaca a importância do tratamento contínuo e os riscos do abandono, que agravam a resistência aos medicamentos - Foto: CBN Santos

Gabriella Souza Publicado em 17/11/2025, às 13h46


No Dia Nacional de Combate à Tuberculose o médico infectologista e vereador de Santos, Dr. Marcos Caseiro, trouxe à tona dados sobre a doença na cidade e na Baixada Santista. Em entrevista exclusiva à CBN Santos, o especialista destacou que os números locais estão entre os piores do país.

Dr. Caseiro, que é presente no debate sobre o tema, revelou que, apesar da importância da data (17 de novembro) para reforçar o diagnóstico e a procura do tratamento, Santos apresenta um coeficiente de incidência seis vezes maior do que a média de cidades do interior de São Paulo.

O médico infectologista explicou que a tuberculose é uma doença com forte determinação social, que afeta em maior quantidade as populações mais vulneráveis. Ele usou a comparação geográfica para ilustrar a gravidade.

Se você pega Pompeia e Boqueirão,  tem 22/24 casos por 100 mil habitantes. Na Zona Noroeste, 220 casos por 100 mil habitantes, e no Centro, por conta dos cortiços são 380 casos na mesma proporção 


O especialista enfatizou que Santos tem 120 casos para número que supera até mesmo o Amazonas, o estado com o pior indicador do país (cerca de 70 a 80 casos). Ele reforçou a necessidade de atenção imediata: "Nós temos os piores indicadores do Brasil", alertou o médico, destacando que essa realidade se estende por toda a Baixada Santista.

Abandono e resistência

Questionado sobre como diminuir esses índices alarmantes, o vereador lembrou que o tratamento é totalmente gratuito e fornecido exclusivamente pela rede pública. Contudo, o grande problema é o abandono do tratamento prolongado.

A pessoa tem uma melhora, então precisa tomar um remédio. Mas é o clássico, todo mundo já tomou antibiótico, você toma três dias, melhorou? para de tomar. A tuberculose, você parar, ela volta a pior e mais, é um problema mundial, é a resistência aos medicamentos.

O abandono faz com que a bactéria desenvolva resistência (MDR e XDR), tornando o tratamento mais complexo e perigoso. O Dr. Caseiro pontuou que o tratamento, feito com uma combinação de drogas por seis meses, frequentemente é interrompido.

Para tentar mudar o cenário, ele citou a criação de um comitê regional para discutir propostas. O médico acredita que a quimioprofilaxia, oferecer tratamento para pessoas que tiveram contato, mas não desenvolveram a doença, será um "divisor de águas" no combate à tuberculose na região, prevenindo que o "bichinho", que já está latente em um terço da população mundial, se manifeste.

Veja a entrevista completa na íntegra: