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São Vicente acelera exames e lidera cirurgias bariátricas pelo SUS na Baixada Santista

Município realizou 11 procedimentos nos primeiros cinco meses de 2026

Com estratégia técnica, Saúde de São Vicente supera cotas do Estado para cirurgia bariátrica - Imagem: Reprodução
Com estratégia técnica, Saúde de São Vicente supera cotas do Estado para cirurgia bariátrica - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 11/06/2026, às 13h01


O programa de cirurgia bariátrica de São Vicente registrou uma aceleração histórica nos cinco primeiros meses de 2026. Por meio do suporte da Secretaria da Saúde (Sesau), 11 moradores do município realizaram o procedimento no período, um volume que já representa 78,6% de todas as cirurgias feitas ao longo do ano de 2025 (quando houve 14 registros).

A evolução do fluxo cirúrgico municipal reflete uma reestruturação iniciada nos últimos anos: em 2023, a cidade viabilizou apenas uma cirurgia; o indicador subiu para seis em 2024 e manteve a curva ascendente no ano passado e no atual exercício. Além dos 11 operados até o momento, outros nove pacientes vicentinos já cumpriram todas as metas pré-operatórias e aguardam o agendamento da data do procedimento.

Estratégia de captação de vagas na Baixada Santista

O avanço expressivo nos números se deve a uma estratégia de otimização documental e eficiência técnica da Secretaria da Saúde. Oficialmente, o Governo do Estado disponibiliza uma cota de apenas oito cirurgias bariátricas por mês para serem divididas entre as nove cidades da Baixada Santista, o que confere a São Vicente o direito a apenas uma vaga mensal garantida (além de uma vaga reserva para consultas).

No entanto, a equipe local tem conseguido superar a cota formal ao herdar e reaproveitar vagas remanescentes que não são preenchidas por municípios vizinhos por falta de documentação ou exames no prazo. Adriana Madureira Amorim, responsável pelo Programa de Cirurgia Bariátrica no município, explica que a cidade mantém um rigor técnico que impede a devolução de processos pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).

Essa agilidade organizacional permitiu que, em janeiro deste ano, São Vicente absorvesse seis vagas de cirurgia de uma só vez, além de outras quatro em maio. A eficiência da rede municipal ficou evidente na última reunião técnica do Hospital Guilherme Álvaro (HGA), unidade estadual de referência para os procedimentos em Santos: dos 21 pacientes declarados efetivamente aptos para operar em toda a região, nove eram moradores de São Vicente, a maior representação por cidade na Baixada.

O fluxo de atendimento e a linha de cuidado

O ingresso no programa de combate à obesidade grave ocorre por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), do Centro Municipal de Especialidades (Cemesv) e do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), dividindo-se em dois critérios de gravidade:

  • IMC acima de 50: O paciente tem entrada direta no processo de triagem e avaliação cirúrgica.
  • IMC abaixo de 50: É obrigatória a participação por, no mínimo, dois anos nos grupos municipais de emagrecimento antes de uma eventual indicação para a cirurgia.

A jornada do paciente envolve uma avaliação clínica inicial com o clínico geral Dr. Joaquim Manoel Bueno do Livramento, na UBS Central, onde são solicitados exames laboratoriais e de imagem detalhados. Após o aval clínico e o suporte de endocrinologistas, o candidato passa por triagens específicas com psicólogos e nutricionistas.

Com todos os laudos favoráveis, o processo é enviado à Cross. Ao ser chamado pelo Estado, o paciente passa por uma nova sabatina multiprofissional dentro do Hospital Guilherme Álvaro, onde precisa cumprir metas rígidas, como a perda de cerca de 10% do peso corporal por conta própria antes de entrar no centro cirúrgico. O protocolo prevê dois dias de internação pós-operatória e um acompanhamento contínuo de reabilitação.

Prevenção e grupos de apoio na UBS Central

Paralelamente à via cirúrgica, a Sesau foca na medicina preventiva para evitar que os pacientes atinjam índices críticos de peso. A UBS Central abriga quatro grupos permanentes de emagrecimento, assistidos por equipes com nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas. O acesso a esses grupos foi desburocratizado: o encaminhamento pode ser feito diretamente pela equipe de enfermagem da unidade básica durante o acolhimento, sem a necessidade de esperar por uma consulta médica prévia.