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TCU trava repasse de R$ 2,6 bilhões para o Túnel Santos-Guarujá por falta de governança

Autoridade Portuária de Santos deve garantir transparência na aplicação do dinheiro destinados ao túnel

Tribunal de Contas da União exige melhorias na governança do projeto do Túnel Santos-Guarujá antes da liberação de recursos - Imagem: Reprodução
Tribunal de Contas da União exige melhorias na governança do projeto do Túnel Santos-Guarujá antes da liberação de recursos - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 19/03/2026, às 12h46


O projeto do Túnel Santos-Guarujá, considerado a obra de infraestrutura mais estratégica do litoral paulista, encontrou um novo obstáculo burocrático. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou, nesta quarta-feira (18), que a Autoridade Portuária de Santos (APS) suspenda o aporte de recursos federais destinados à Parceria Público-Privada (PPP). A decisão, proferida pelo ministro Bruno Dantas, congela o repasse de R$ 2,6 bilhões até que sejam apresentadas melhorias claras na governança e nos instrumentos jurídicos do empreendimento.

Durante a sessão, Dantas destacou que o projeto é um caso único de parceria interfederativa no país, envolvendo a União e o Estado, e que tem faltado uma gestão apropriada dos recursos. O ministro estabeleceu um prazo rigoroso de 30 dias para que o governo de São Paulo e a APS apresentem um documento oficial assinado que detalhe as responsabilidades de cada ente.

Segundo o magistrado, a liberação da verba federal está estritamente condicionada à subscrição desses termos jurídicos, visando garantir a transparência e a segurança na aplicação do montante bilionário.

Próximos passos

O presidente da APS, Anderson Pomini, considerou a decisão correta e informou que já solicitou ao governo estadual a minuta do contrato para análise técnica. Como a Autoridade Portuária será responsável pelo pagamento de 50% do custo total do túnel, a definição do modelo de governança é vista como essencial para que o órgão atue como interveniente no processo. Já a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) de São Paulo afirmou que o projeto segue o modelo aprovado no edital publicado em junho de 2025 e que continuará atuando de forma coordenada com a União para consolidar as exigências do TCU.

Vale lembrar que a empresa portuguesa Mota-Engil venceu o leilão em 5 de setembro de 2025 e será a responsável pela construção, operação e manutenção do empreendimento pelos próximos 30 anos. O projeto prevê uma estrutura monumental de 1,5 km de extensão, sendo 870 metros debaixo d'água, conectando as duas cidades por uma via seca para veículos, pedestres e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A obra é aguardada há décadas para otimizar a operação portuária e transformar a mobilidade urbana entre Santos e Guarujá.