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Temporais forçam ampliação de equipes e frota para zeladoria na Av. Nossa Senhora de Fátima em Santos

Com volume de chuva quase quatro vezes acima da média, ações de drenagem e manutenção na Zona Noroeste saltaram quase 100%

Avenida Nossa Senhora de Fátima é foco de intervenções, com aumento de 14% nas operações de tapa-buraco até dezembro - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Santos
Avenida Nossa Senhora de Fátima é foco de intervenções, com aumento de 14% nas operações de tapa-buraco até dezembro - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Santos

Redação Publicado em 29/09/2026, às 10h11


O mês de setembro mais chuvoso de toda a história de Santos, com acumulados pluviométricos que já ultrapassaram a impressionante marca dos 500 milímetros, quase quatro vezes a média histórica esperada de 139,9 mm, forçou o poder público a intensificar drasticamente os serviços de zeladoria e infraestrutura urbana. O principal foco dessa força-tarefa de emergência é a Avenida Nossa Senhora de Fátima, uma das vias mais importantes, movimentadas e vulneráveis da Zona Noroeste, que vem recebendo um volume recorde de intervenções para tentar mitigar os impactos dos temporais diários.

Explosão de demandas e reforço no maquinário

Os dados levantados pela Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref), que atua com o suporte da Prodesan, evidenciam o tamanho do desafio climático. Apenas nos primeiros oito meses de 2026, foram realizadas 60 operações de tapa-buraco asfáltico na avenida, o que já representa 76% de todo o trabalho executado ao longo do ano passado. Mantendo esse ritmo acelerado, a projeção é de que a via receba cerca de 90 intervenções até dezembro, um aumento de quase 14%.

Na área de manutenção de drenagem, o salto foi ainda mais gritante: foram 61 ações executadas entre janeiro e agosto, um crescimento de 96,8% em relação ao mesmo período de 2025. Praticamente dobrou-se a capacidade de resposta. Para dar conta dessa enorme demanda, o contingente de trabalhadores na linha de frente saltou de 91 para 167 profissionais. A frota de apoio também foi encorpada, recebendo mais caminhões, escavadeiras, hidrojatos e até equipamentos inéditos na operação, como o minihidro.

O desafio técnico do asfalto sob chuva

A manutenção da via, no entanto, esbarra em um obstáculo da física. A aplicação do asfalto quente, o material mais adequado e resistente para vias que recebem tráfego contínuo de veículos pesados, perde completamente a sua capacidade de aderência quando o solo está muito encharcado. Como alternativa paliativa para não paralisar o trânsito, as equipes recorrem ao asfalto frio. O problema é que esse material possui baixa durabilidade e, com a força das enxurradas, acaba sendo arrastado para dentro das galerias, podendo entupir as bocas de lobo e agravar os alagamentos que se tenta combater.

"Estamos intensificando as ações justamente em um período em que a chuva aumenta a pressão sobre a infraestrutura da região. Precisamos ter responsabilidade técnica para realizar cada serviço no momento adequado, evitando que uma intervenção emergencial acabe prejudicando a própria rede de drenagem. Nosso trabalho é garantir a circulação e minimizar os impactos das chuvas", explicou o secretário das Prefeituras Regionais, Rivaldo Santos.

Obras estruturantes no horizonte

Enquanto a zeladoria atua de forma ininterrupta para apagar os prejuízos imediatos provocados pelo clima extremo, a solução definitiva para a Zona Noroeste passa por grandes obras de macrodrenagem que já estão no cronograma do município. O avanço mais aguardado é a construção da Estação Elevatória com Comportas 6 (EEC6), na região do Saboó, que atuará como um verdadeiro escudo mecânico contra as enchentes em dias de fortes chuvas combinadas com a maré alta.

A intervenção estrutural faz parte de uma robusta parceria firmada no ano passado com a MRS Logística, que prevê um investimento na casa dos R$ 150 milhões. O mega projeto inclui a canalização do Rio Lenheiros e a substituição de tubulações por um pontilhão de 13 metros no bairro Chico de Paula, o que ampliará de forma substancial a capacidade de escoamento das águas pluviais de toda a região sob a linha férrea.