Falta de Energia

Uso de cerol faz disparar interrupções de energia no litoral de SP

Levantamento da CPFL Piratininga aponta 387 ocorrências provocadas por linhas de pipa em cinco meses. Dados foram divulgados dias após um jovem morrer atingido por cerol em São Vicente.

Linhas de pipa com cerol provocaram 387 interrupções de energia na Baixada Santista em cinco meses - Imagem: Reprodução
Linhas de pipa com cerol provocaram 387 interrupções de energia na Baixada Santista em cinco meses - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 11/07/2026, às 13h34


O uso crescente de linhas de pipas com cerol na Baixada Santista gerou 387 interrupções no fornecimento de energia entre janeiro e maio, destacando a gravidade da situação após a morte de um motociclista atingido por uma dessas linhas.

São Vicente registrou um aumento alarmante de 101% nas ocorrências, enquanto Praia Grande e Santos apresentaram variações menores, refletindo um problema que afeta tanto a segurança pública quanto a infraestrutura elétrica da região.

A CPFL reforça a proibição legal do uso de cerol e orienta a população a soltar pipas em locais seguros, enquanto investigações sobre o acidente fatal continuam, evidenciando a necessidade urgente de medidas para prevenir novos incidentes.

O aumento no uso de linhas de pipas com cerol voltou a acender o alerta na Baixada Santista. Levantamento divulgado pela CPFL Piratininga mostra que, entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 387 interrupções no fornecimento de energia causadas por pipas enroscadas na rede elétrica em Santos, São Vicente e Praia Grande.

Os números ganharam ainda mais repercussão após a morte do motociclista Matheus da Silva Evangelista, de 21 anos, atingido por uma linha com cerol enquanto trafegava pela Rodovia dos Imigrantes, em São Vicente. O jovem perdeu o controle da motocicleta e morreu no local. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio.

Segundo a concessionária, São Vicente concentrou o maior crescimento nas ocorrências. O município saltou de 127 registros para 255 interrupções, um aumento de 101% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Praia Grande, as ocorrências passaram de 105 para 110, alta de 5%. Já em Santos, houve leve redução, de 23 para 22 casos.

Além dos riscos à rede elétrica e do prejuízo para milhares de consumidores, a empresa destaca que o uso de linhas cortantes representa ameaça direta à vida de motociclistas, ciclistas, pedestres e até de pessoas que empinam pipas.

A CPFL reforça que a legislação paulista proíbe a fabricação, comercialização e utilização de linhas com cerol ou linha chilena. A concessionária orienta que a população solte pipas apenas em locais abertos, longe da rede elétrica, nunca utilize materiais cortantes e evite tentar retirar pipas presas em postes ou fios, já que qualquer contato com a rede pode provocar acidentes graves.

O caso da morte do motociclista também é investigado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Conforme a pasta, policiais encontraram uma linha de pipa com cerol atravessando a pista, reforçando a suspeita de que o material foi determinante para o acidente fatal.

A concessionária alerta que, além de interromper o fornecimento de energia para residências, comércios e serviços essenciais, o uso de cerol pode causar curtos-circuitos, danos aos equipamentos elétricos e colocar em risco equipes de manutenção que atuam na rede.