Prática de tomar remédios sem receita pode gerar intoxicações graves e mascarar sintomas de doenças crônicas; médico orienta quando buscar ajuda

Redação Publicado em 20/08/2026, às 11h28
Tomar um analgésico por conta própria para conter uma dor de cabeça passageira, um antitérmico para baixar a febre ou um antigripal para aliviar o mal-estar físico são atitudes rotineiras na vida de milhões de brasileiros. Embora a prática seja frequentemente encarada pela população como um atalho inofensivo e conveniente para contornar indisposições cotidianas, a automedicação esconde graves perigos à saúde pública, incluindo intoxicações severas, interações químicas perigosas e o mascaramento de diagnósticos de enfermidades complexas. O alerta é do médico clínico geral Arilton Fontenele Lima, da Hapvida.
Segundo o especialista, a facilidade de acesso a remédios isentos de prescrição nas farmácias costuma gerar um sentimento ilusório de inocuidade. "É muito comum a pessoa pensar que, porque já tomou determinado medicamento antes ou porque ele é facilmente encontrado, não haverá riscos. Mas todo medicamento precisa ser usado com cuidado. Uma dose inadequada, o uso por tempo prolongado ou a combinação com outros remédios pode causar efeitos adversos e até intoxicações", explica o médico.
Ocultação de sintomas e perigo das interações químicas
O profissional destaca que o alívio imediato proporcionado pelo fármaco não equivale à cura da patologia de base. Ao silenciar dores abdominais constantes, cefaleias recorrentes ou episódios contínuos de febre, o paciente pode postergar a busca por auxílio especializado, permitindo que doenças graves progridam em silêncio. "Às vezes, o medicamento consegue aliviar a dor ou baixar a febre, mas isso não significa que a causa do problema tenha sido tratada. Quando um sintoma persiste, piora ou se repete com frequência, é importante procurar atendimento. A automedicação pode mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico conclusivo", ressalta Arilton.
Outro ponto crítico está na combinação perigosa de substâncias sem supervisão médica, prática especialmente arriscada para idosos, hipertensos e diabéticos que já realizam tratamentos crônicos. Recomendações informais de amigos, parentes ou conteúdos de redes sociais devem ser completamente evitadas, pois cada organismo reage de forma individual.
"É fundamental informar ao profissional de saúde todos os medicamentos que estão sendo utilizados, inclusive aqueles que a pessoa toma apenas eventualmente. Isso permite avaliar possíveis interações e definir uma conduta mais segura para cada paciente", orienta o clínico geral, reforçando que febre persistente, dor intensa, falta de ar ou desmaios exigem avaliação clínica imediata. "Medicamento não deve ser tratado como um produto comum. É preciso saber para que ele é indicado, qual a dose adequada, por quanto tempo pode ser utilizado e quais são suas contraindicações. Buscar orientação profissional é sempre a maneira mais segura de cuidar da saúde", conclui.
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