Notícias

Uso de telas nas refeições pode mudar a relação das crianças com a comida

Especialista da Hapvida explica por que celulares, tablets e televisão podem tirar o foco dos sinais de fome e saciedade e reduzir as oportunidades de aprendizado à mesa

Saiba como criar um ambiente alimentar mais saudável e interativo, evitando o uso de telas - Imagem: Divulgação
Saiba como criar um ambiente alimentar mais saudável e interativo, evitando o uso de telas - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 31/08/2026, às 09h07


Para muitas famílias, colocar um desenho ou vídeo para a criança assistir durante a refeição se tornou uma prática comum. Celulares, tablets e televisão podem ajudar a manter os pequenos sentados à mesa ou facilitar a aceitação de determinados alimentos. Apesar disso, o uso frequente desses dispositivos nesse momento pode trazer consequências para o comportamento alimentar e para o desenvolvimento infantil.

A nutricionista infantil e especialista em Terapia Alimentar da Hapvida, Anne Letícia Dias, explica que a experiência alimentar envolve muito mais do que simplesmente comer.

  • "Quando a criança está totalmente concentrada na tela, ela deixa de prestar atenção aos sinais naturais de fome e saciedade, reduz a interação com a família e participa menos da experiência alimentar. Comer também é aprender, explorar, observar e desenvolver autonomia", afirma.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 pela revista científica JAMA Pediatrics aponta que a exposição frequente às telas durante momentos importantes da rotina, entre eles as refeições, pode prejudicar a interação entre pais e filhos, reduzir oportunidades de aprendizagem e favorecer comportamentos alimentares menos saudáveis.

O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, recomenda que as refeições sejam feitas em ambientes tranquilos, sem televisão, celulares ou outras distrações. A proposta é favorecer a interação entre a criança e seus cuidadores durante esse momento.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também recomenda que os dispositivos eletrônicos não sejam incorporados à rotina alimentar infantil.

Pesquisas publicadas na revista científica Appetite chegaram a resultados semelhantes. Um estudo identificou associação entre o uso de telas durante as refeições e maior consumo de alimentos ultraprocessados, menor ingestão de frutas e vegetais e pior qualidade geral da alimentação.

A distração também pode dificultar a identificação dos sinais de saciedade. Sem perceber adequadamente quando está satisfeita, a criança pode ter mais dificuldade para desenvolver uma relação equilibrada com a alimentação e adquirir hábitos inadequados ao longo da infância.

Sem culpa para os pais

Embora a recomendação seja evitar as telas, a especialista ressalta que os pais não devem se sentir culpados quando o uso acontece eventualmente.

  • "A rotina das famílias mudou muito e sabemos que o momento da refeição para crianças pode ser difícil. O importante é que o celular não se torne uma estratégia permanente para alimentar a criança. Pequenas mudanças, como desligar a televisão durante uma refeição por dia ou incentivar conversas à mesa, já representam um passo importante", destaca Anne Letícia.

Os primeiros anos de vida são considerados fundamentais para a formação da relação com os alimentos. É nessa fase que a criança utiliza diferentes sentidos para conhecer o que come: observa cores, percebe aromas e explora texturas, temperaturas e sabores.

Essas experiências ajudam a ampliar a aceitação dos alimentos e podem contribuir para prevenir a seletividade alimentar.

  • "Cada refeição é uma oportunidade para a criança construir uma relação positiva com os alimentos. Quanto mais presente ela estiver nesse momento, maiores são as oportunidades de aprendizado e desenvolvimento", ressalta a nutricionista.

Refeição também é convivência

A recomendação não se resume a retirar o celular da mesa. A proposta é fazer da alimentação um momento de convivência e aprendizado.

Para isso, as famílias podem evitar celulares, tablets e televisão durante as refeições, compartilhar pelo menos uma refeição por dia, conversar sobre os alimentos e respeitar os sinais de fome e saciedade da criança.

Outra orientação é estimular a participação dos pequenos na rotina alimentar, permitindo que ajudem a servir a comida ou escolham alguns alimentos.

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial, além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.

Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.