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Vacina na escola faz Santos bater recorde e virar exemplo no combate ao HPV

Cidade atinge quase 100% de cobertura entre jovens e supera o objetivo nacional; queda nos casos de câncer de colo de útero já chega a 66%

Com a vacinação nas escolas, Santos eliminou barreiras e garantiu que quase todos os adolescentes fossem vacinados - Foto: Carlos Nogueira/ Prefeitura de Santos
Com a vacinação nas escolas, Santos eliminou barreiras e garantiu que quase todos os adolescentes fossem vacinados - Foto: Carlos Nogueira/ Prefeitura de Santos

Redação Publicado em 16/03/2026, às 09h08


A ideia de levar as doses diretamente para dentro dos colégios foi o que fez Santos virar o jogo na saúde pública. Enquanto muitos lugares sofrem para convencer os jovens a irem até um postinho, a prefeitura decidiu facilitar as coisas e ir até onde os adolescentes estão. O resultado não poderia ser melhor: o município conseguiu índices de proteção muito acima do que o Governo Federal pede, servindo agora de "espelho" para o resto do Brasil.

Essa tática de vacinar nas escolas resolveu um grande problema: a falta de tempo dos pais e a dificuldade de deslocamento. Diferente de bebês ou idosos, os adolescentes de 9 a 14 anos quase não aparecem nas unidades de saúde se não estiverem sentindo nada. Ao aplicar a vacina no ambiente escolar, Santos derrubou essas barreiras e garantiu que quase todo mundo recebesse a dose única.

Tecnologia e proteção real contra o câncer

Além do trabalho nas salas de aula, Santos também aposta pesado na tecnologia. A Secretaria de Saúde usa os dados do CPF para saber exatamente quem ainda não se vacinou. Com essa lista em mãos, as equipes mandam mensagens pelo WhatsApp ou SMS para as famílias, lembrando da importância de proteger os filhos. Esse "puxão de orelha" digital ajuda a garantir que ninguém fique para trás.

Os números mostram que todo esse esforço vale a pena. Atualmente, Santos tem uma das menores taxas de câncer de colo de útero do país, com uma queda impressionante de 66,6% nos registros. Especialistas como o médico Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações, explicam que o HPV é o principal culpado por tumores no útero, boca e outras partes do corpo. Por isso, essa proteção é carinhosamente chamada de "vacina contra o câncer". Prevenir agora, enquanto eles são novos, é muito mais barato e menos doloroso do que enfrentar cirurgias e tratamentos pesados no futuro.

Exemplo para o Brasil e metas para o futuro

Para se ter uma noção do sucesso, em 2023, Santos atingiu quase 98,4% de cobertura, sendo que o objetivo nacional é de 90%. Em 2025, os dados continuam ótimos: 89,4% das meninas e 82,7% dos meninos já estão protegidos. Esses valores dão um banho na média brasileira, onde a vacinação masculina, por exemplo, ainda patina na casa dos 67%.

O sucesso santista mostra que, quando o governo se organiza para facilitar a vida do morador, as doenças perdem espaço. O próximo passo, que já está sendo discutido pelo Ministério da Saúde, é trazer uma vacina ainda mais moderna para o sistema público, que protege contra nove tipos do vírus (hoje a rede gratuita protege contra quatro). Enquanto isso não acontece, Santos segue provando que o segredo para proteger as próximas gerações é misturar inteligência digital com o bom e velho atendimento direto nas escolas.