Imagens registradas por passageiro mostram funcionário de empresa terceirizada varrendo detritos para o estuário

Redação Publicado em 23/04/2026, às 15h33
Um flagrante de desrespeito ao meio ambiente chamou a atenção de usuários da travessia de balsas entre Santos e Guarujá na última terça-feira (21). Um vídeo gravado por um passageiro mostra o momento exato em que um trabalhador, posicionado sobre uma balsa de manutenção, utiliza uma vassoura para empurrar resíduos de construção civil diretamente para dentro do mar.
O registro foi feito no lado de Guarujá, em uma das plataformas utilizadas para o embarque e desembarque de veículos. De acordo com a testemunha, que preferiu manter o anonimato, o trabalho envolvia intervenções estruturais. Enquanto um operário utilizava um martelo para quebrar partes da estrutura, o outro recolhia os detritos e, em vez de armazená-los para descarte correto em terra, optou por jogá-los embaixo da balsa, misturando o entulho às águas do estuário santista.
Providências administrativas e fiscalização
A Coordenadoria de Travessias, ligada ao Departamento Hidroviário, manifestou-se rapidamente após a circulação das imagens. O órgão confirmou que o indivíduo flagrado é um colaborador de uma empresa terceirizada, contratada especificamente para realizar a manutenção dos flutuantes da travessia.
Em nota oficial, o Departamento informou que já adotou as "providências administrativas cabíveis" junto à empresa prestadora de serviço, o que pode incluir multas e sanções previstas em contrato. A coordenadoria ressaltou que o ocorrido foi um "fato isolado" e que não condiz com as diretrizes de fiscalização ambiental que deveriam ser seguidas rigorosamente em todas as operações de manutenção no Porto de Santos.
Foco em educação ambiental
Além das punições à empresa, o Departamento Hidroviário afirmou que pretende intensificar ações educativas entre os funcionários diretos e terceirizados. O objetivo é reforçar a conscientização sobre o descarte de resíduos sólidos, um dos principais desafios para a preservação do ecossistema marinho na região.
A educação ambiental foi citada como um compromisso prioritário para evitar que cenas como essa se repitam. Especialistas apontam que o descarte de entulho de obra no mar, mesmo em pequenas quantidades, pode afetar a fauna marinha e contribuir para o assoreamento do canal, além de configurar crime ambiental passível de punição pelas autoridades competentes, como a Cetesb e a Polícia Ambiental.
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