Violência contra a mulher

Violência psicológica: veja sinais de alerta e como buscar ajuda

Casos cresceram 16,9% no Brasil em 2025; psicóloga orienta sobre reconhecimento, apoio a vítimas e caminhos para reconstrução

Identifique os sinais de violência psicológica, como gaslighting, isolamento e controle excessivo, para proteger-se e buscar ajuda - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Identifique os sinais de violência psicológica, como gaslighting, isolamento e controle excessivo, para proteger-se e buscar ajuda - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Redação Publicado em 24/08/2026, às 10h52


O panorama: o Brasil registrou mais de 60 mil casos de violência psicológica contra mulheres em 2025, alta de 16,9% frente ao ano anterior, aponta o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública — taxa de 55,6 casos a cada 100 mil mulheres.

O que caracteriza esse tipo de violência: segundo a psicóloga Patrícia Damasceno, da Hapvida, trata-se de qualquer atitude que cause dano emocional, reduza a autoestima ou busque controlar as decisões da mulher. A Lei Maria da Penha reconhece essa forma de violência ao lado da física, moral, patrimonial e sexual, podendo ocorrer em casamentos ou relacionamentos estáveis.

Sinais para ficar atenta:

  • Gaslighting (distorção de fatos para gerar dúvida sobre a própria memória);
  • Isolamento de amigos e familiares;
  • Humilhação e desvalorização frequentes;
  • Ciúme excessivo;
  • Controle de roupas, celular, horários e amizades;
  • Ameaças e chantagens emocionais.

Por que é difícil perceber: os comportamentos costumam surgir de forma sutil e gradual, muitas vezes disfarçados de zelo ou amor. A alternância entre momentos afetuosos e episódios de violência também reforça a permanência na relação, assim como o medo, a dependência financeira e a preocupação com os filhos.

Depois de sair da relação: sintomas como ansiedade, insônia, hipervigilância e lembranças invasivas — associados ao estresse pós-traumático — podem persistir, junto com sentimentos de culpa e perda.

Caminhos para reconstrução, segundo a especialista:

  • Buscar acompanhamento psicológico para processar o trauma;
  • Retomar pequenas decisões cotidianas (roupas, hobbies, projetos);
  • Buscar independência financeira e recolocação profissional;
  • Conversar com pessoas de confiança em vez de enfrentar a situação sozinha.
  • Para quem convive com uma vítima: evite julgamentos como "por que você não foi embora antes?" e não confronte o agressor sem autorização da vítima, o que pode aumentar o risco.

Onde buscar ajuda: Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, serviço gratuito disponível 24 horas.