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Violência que não deixa hematomas, mas deixa consequências: o alerta do Agosto Lilás

Psicóloga da Hapvida detalha como o abuso emocional pode alterar funções cerebrais e gerar sintomas físicos na mulher

Foto: Magnific
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Redação Publicado em 31/08/2026, às 13h08


Humilhações, ameaças, controle, isolamento, chantagem emocional e desvalorização estão entre as principais formas de violência psicológica que podem afetar a saúde de uma mulher. Embora costumem não deixar marcas físicas visíveis, essas situações podem provocar sofrimento intenso e, ao se prolongarem, também comprometer o funcionamento do corpo.

Durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher, a psicóloga da Hapvida, Dulciana de Souza Lima, destaca um ponto que costuma passar despercebido: os impactos do abuso emocional sobre o cérebro e sobre o corpo.

Segundo ela, a ausência de hematomas ou ferimentos não indica ausência de sofrimento ou de sequelas — a violência psicológica pode, progressivamente, minar a sensação de segurança, a autoestima e a forma como a mulher se enxerga.

Quando o medo e a tensão passam a ser constantes, o organismo entra em um ciclo de resposta repetida a estímulos interpretados como ameaça. Esse estado de alerta prolongado pode interferir na atenção, na memória, na concentração e na regulação das emoções.

A especialista explica que uma mulher exposta a um ambiente de abuso pode apresentar esquecimentos, fadiga mental, dificuldade de concentração, sensação de confusão e maior dificuldade para tomar decisões. Segundo ela, a mente tende a permanecer voltada para identificar e reagir a possíveis ameaças, enquanto funções como atenção, memória, planejamento, avaliação de alternativas e controle emocional ficam comprometidas.

As consequências ultrapassam o campo emocional. Dores de cabeça, tensão muscular, alterações gastrointestinais, cansaço e problemas para dormir também podem surgir como resultado do estresse prolongado. A ansiedade e as crises de pânico seguem essa mesma lógica, já que a sensação persistente de perigo mantém o sistema de alerta do corpo frequentemente ativo.

A forma como a dor é percebida também pode se alterar. A psicóloga explica que a exposição prolongada ao estresse pode deixar o sistema nervoso mais sensível a estímulos dolorosos, o que reforça a necessidade de avaliar sintomas físicos persistentes, em vez de relacioná-los automaticamente apenas a fatores emocionais.

Outro ponto relevante é a dificuldade que muitas mulheres têm para reconhecer o abuso ou romper o relacionamento. De acordo com Dulciana, episódios de agressão costumam se alternar com gestos de carinho, pedidos de desculpas e promessas de mudança, o que pode sustentar a expectativa de que o parceiro vá agir de forma diferente.

Esse quadro pode se agravar diante de sentimentos de culpa e da sensação de que não existem alternativas. A psicóloga reforça que essa dificuldade não é sinal de falta de força ou de vontade, mas resulta de um processo psicológico complexo, que envolve pensamentos, emoções e comportamentos entrelaçados.

Quando o sofrimento passa a interferir na rotina, nos relacionamentos, no sono ou na capacidade de tomar decisões, é indicado procurar ajuda profissional, que pode envolver psicólogos, psiquiatras e outras especialidades, conforme a necessidade de cada caso.

Familiares e amigos também podem perceber sinais como isolamento, mudanças de comportamento, medo excessivo, baixa autoestima e necessidade constante de aprovação ou permissão do parceiro.

Nessas situações, a orientação é oferecer escuta e acolhimento, sem pressionar a mulher a tomar uma decisão para a qual ainda não esteja preparada. Perguntas como "por que você não termina?" podem aumentar a culpa e dificultar a busca por ajuda. Já demonstrar disponibilidade e reforçar que ela não é responsável pela violência sofrida pode ajudar na construção de uma rede de apoio.

A psicóloga cita frases como "estou aqui para você, a culpa não é sua e você não está sozinha" como exemplos capazes de fortalecer a confiança e facilitar a procura por suporte.

Para Dulciana, reconhecer os efeitos desse tipo de abuso também amplia o olhar sobre a violência contra a mulher. Ela conclui que a violência psicológica é uma questão de saúde, e não apenas um problema de relacionamento — mesmo sem marcas visíveis, seus impactos na saúde mental e física podem ser significativos.

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de atuação, o Grupo Hapvida é atualmente o maior ecossistema de saúde da América Latina, contando com mais de 75 mil colaboradores e cerca de 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia distribuídos por todas as regiões do país.

Essa estrutura foi construída com foco no cuidado completo, reunindo mais de 800 unidades pelo Brasil — entre elas 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico, laboratórios de coleta e espaços voltados ao cuidado preventivo e crônico.

Essa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta em uma empresa que reúne os melhores recursos humanos e tecnológicos para atender seus clientes.