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Volta da licença-maternidade não precisa encerrar amamentação; enfermeira ensina ordenha e cuidados

Especialistas orientam sobre a importância da organização e do apoio familiar para garantir a continuidade da amamentação

Foto: Reprodução
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Redação Publicado em 20/08/2026, às 11h29


O fim da licença-maternidade e o retorno à rotina profissional costumam representar um dos períodos mais desafiadores para a continuidade do aleitamento materno no Brasil. Segundo dados consolidados pelo Ministério da Saúde, mulheres que atuam no mercado formal enfrentam maiores barreiras logísticas e emocionais para manter a amamentação exclusiva ou complementar nos primeiros meses de vida do bebê. Em alusão à campanha do Agosto Dourado, mês voltado à conscientização sobre a importância do leite humano, especialistas destacam que a volta ao trabalho não precisa significar a interrupção precoce desse vínculo vital.

A enfermeira obstetra Miriam de Souza Santos Silva, do Hospital Madrecor, da Hapvida, explica que a chave para o sucesso dessa transição reside na organização antecipada e no apoio mútuo. "O retorno ao trabalho pode ser emocionalmente desafiador e a rotina pode interferir na amamentação, principalmente se a mãe passa muitas horas sem amamentar ou ordenhar. O mais importante é manter o estímulo das mamas e buscar apoio", orienta a profissional. De acordo com a especialista, a preparação deve começar cerca de 15 dias antes do encerramento da licença, momento em que a mãe inicia a prática da ordenha e a formação de um estoque inicial em frascos de vidro esterilizados com tampa plástica.

Regras de armazenamento, cuidados com aquecimento e direitos legais

O leite materno cru e não pasteurizado pode ser armazenado com segurança por até 12 horas no interior da geladeira (evitando a porta) e por até 15 dias no congelador ou freezer, devidamente identificado com etiqueta de data e hora. Para ofertar ao recém-nascido, o descongelamento deve ocorrer dentro do refrigerador e o aquecimento em banho-maria morno fora do fogo direto, sem nunca utilizar forno micro-ondas para não desnaturar proteínas e nutrientes essenciais nem provocar queimaduras térmicas.

A enfermeira reforça que a sustentabilidade da amamentação depende de uma rede colaborativa entre família, empresas e sociedade. "Não precisamos transformar a amamentação em uma cobrança ou em uma prova de desempenho. Precisamos oferecer acolhimento, informação segura e condições para que essa mulher faça o melhor possível dentro da sua realidade", destaca Miriam. Ela lembra ainda que a legislação trabalhista brasileira assegura suporte: o artigo 396 da CLT garante à trabalhadora dois intervalos especiais de 30 minutos cada durante o expediente para amamentar ou ordenhar até o bebê completar seis meses de vida.