Padre repudia ação criminosa e destaca dor da comunidade caiçara. Segundo a SSP, criminosos não levaram objetos de valor do templo

Redação Publicado em 22/10/2026, às 09h38
A tranquilidade da tradicional comunidade caiçara de Barra do Una, localizada no município de Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, foi abruptamente interrompida por um grave episódio de vandalismo. Na última quinta-feira (15), a Capela Santo Antônio de Pádua, um dos principais símbolos históricos e espirituais da região, foi alvo de uma invasão criminosa. O ataque, que resultou na destruição de artefatos sagrados e na profanação do templo, gerou indignação entre os moradores locais e lideranças católicas, que apontam para fortes indícios de intolerância religiosa.
Ao adentrarem o pequeno templo, que serve como um refúgio de fé para dezenas de famílias de pescadores, os fiéis se depararam com um cenário de destruição deliberada. Uma venerada imagem de Santo Antônio, padroeiro da capela, foi atirada ao chão e completamente despedaçada. Além disso, uma Bíblia Sagrada, que ficava à disposição da comunidade no altar, foi encontrada com suas páginas rasgadas. O rastro de depredação, no entanto, não se limitou às dependências da igreja. Segundo os relatos, uma imagem de Nossa Senhora que estava abrigada em uma residência próxima à capela também foi alvo dos criminosos e acabou destruída. De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), nenhum objeto de valor comercial foi subtraído do local, o que reforça a tese de que a ação teve como único objetivo o ataque à fé católica e à estrutura religiosa.
O pároco da Paróquia São João Batista, padre Marco Antônio Rossi, responsável pela jurisdição da comunidade, emitiu uma contundente nota de repúdio para manifestar sua profunda tristeza diante do ocorrido. O sacerdote fez questão de destacar a relevância imaterial da capela para o povo caiçara, ressaltando que o espaço representa um pilar fundamental de oração, encontro e acolhimento em uma área afastada do centro urbano. “A agressão a esse espaço fere também as pessoas que nele expressam sua fé e cultivam sua história”, declarou o pároco, evidenciando o impacto emocional que o crime causou aos moradores de Barra do Una.
Em seu pronunciamento, o padre cobrou celeridade e rigor por parte das forças de segurança estaduais. Ele pediu que as autoridades competentes investiguem o caso a fundo, esclarecendo não apenas as circunstâncias, mas também a real motivação por trás dos atos de vandalismo, a fim de identificar e punir os responsáveis. “Nenhuma diferença de crença justifica a violência ou a profanação de um espaço religioso”, cravou o sacerdote, alertando para os perigos do extremismo e do desrespeito à liberdade de culto.
O caso foi formalmente registrado na Delegacia Sede de Peruíbe, e a Polícia Civil já assumiu as investigações. A SSP-SP confirmou que diligências estão sendo realizadas na região da Barra do Una para apurar a totalidade dos fatos, ouvir possíveis testemunhas e rastrear os autores desse ataque ao patrimônio e à cultura da comunidade litorânea.
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