Gonzaguinha

Investigado por esfaquear porteiro em guarita alega amnésia na delegacia; vítima relata novas ameaças

Homem de 23 anos se apresentou ontem (6) em São Vicente. Vítima teme voltar ao trabalho e defesa pede prisão preventiva

Foto: Reprodução
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Redação Publicado em 07/10/2026, às 08h21


O caso do porteiro brutalmente agredido a facadas dentro de uma guarita no Gonzaguinha, em São Vicente, ganhou novos desdobramentos na esfera policial. O agressor, de 23 anos, apresentou-se espontaneamente na delegacia ontem (6), prestou depoimento e foi liberado em seguida. O delegado titular do município, Marcos Alexandre Alfino, confirmou que o episódio foi oficialmente tipificado como tentativa de homicídio após a checagem minuciosa das imagens de monitoramento interno.

Depoimento, alegação de amnésia e antecedentes

Durante a oitiva com a autoridade policial, o investigado afirmou ser usuário de entorpecentes e alegou que não se recorda do ataque desferido na madrugada da última sexta-feira (2). Para o delegado, no entanto, a declaração de perda de memória soa como uma estratégia pré-definida de defesa.

Como a apresentação do agressor ocorreu de maneira voluntária e dias após a agressão, não coube a lavratura de prisão em flagrante. O delegado explicou que o indivíduo não possuía mandado de prisão ou medidas cautelares em vigor até então, forneceu seus contatos e endereço residencial, e a Polícia Civil agora avalia a necessidade de representar por medidas restritivas ou cautelares junto ao Poder Judiciário. O jovem já conta com histórico criminal: possui antecedente por tráfico de drogas e já cumpriu pena no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente.

Trauma, novas ameaças e pedido de prisão preventiva

Enquanto o autor aguarda o andamento do processo em liberdade, a vítima, um profissional de 30 anos, vive sob constante clima de medo. De acordo com o advogado do trabalhador, Ricardo Capusso Veloso, o porteiro encontra-se profundamente traumatizado, teme retornar ao posto de serviço e tem evitado até mesmo sair à rua.

A defesa informou que não existia qualquer desentendimento prévio entre os dois, mas sim registros de advertências condominiais em razão do comportamento do rapaz, que costumava consumir bebidas alcoólicas e fazer barulho nas áreas comuns do prédio — onde apenas a sua mãe reside. Na data da agressão, o funcionário não havia dirigido nenhuma palavra ou censura ao agressor antes de ser atacado.

A situação ganhou contornos ainda mais graves no último sábado (3), véspera das eleições, quando o rapaz retornou à calçada do edifício em diferentes momentos para proferir novas ofensas e ameaças de morte contra o trabalhador. Os áudios dessas investidas foram gravados pelo síndico do condomínio e já foram protocolados junto à polícia. Diante da escalada de hostilidade, os advogados da vítima requereram formalmente a decretação da prisão preventiva do investigado ou, alternativamente, uma cautelar de proibição de aproximação e entrada no residencial.

Avaliação da Polícia Civil e perícia técnica

O delegado Marcos Alexandre Alfino revelou que, no primeiro atendimento no plantão policial, a hipótese preliminar era a de uma discussão entre condôminos. A constatação da extrema violência só se deu após o acesso às gravações em vídeo. "Quando ele mostrou as imagens, nós vimos realmente que se tratava de um crime contra a vida", enfatizou o titular.

Todas as imagens da invasão à portaria e do ataque com arma branca foram encaminhadas para perícia técnica no Instituto de Criminalística (IC). A Polícia Civil dará continuidade à oitiva de testemunhas e à coleta de provas para concluir o relatório final do inquérito e remetê-lo à Justiça.