Kauã de Oliveira, de 23 anos, comandava centrais de falsos advogados na região. Crime ocorreu na noite de segunda na Vila dos Pescadores

Redação Publicado em 14/10/2026, às 08h39
Apontado pelas autoridades como o comandante de uma quadrilha especializada em estelionatos na Baixada Santista, Kauã Freitas Gonçalves de Oliveira, de 23 anos, teve a vida interrompida de forma violenta na noite da última segunda-feira (12). O jovem foi brutalmente esfaqueado no bairro Vila dos Pescadores, em Cubatão. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado para prestar socorro e o levou às pressas, já em parada cardíaca, até o Pronto Socorro Central da cidade, mas ele não resistiu aos ferimentos e faleceu pouco depois de dar entrada. A principal linha de apuração da Polícia Civil recai sobre a companheira da vítima, uma jovem de 19 anos, que é formalmente investigada pelo assassinato.
O império dos falsos advogados e bancários
Kauã era um velho conhecido dos investigadores do município. Ele liderava um grupo criminoso bem estruturado que faturava alto fingindo ser profissionais do meio jurídico ou gerentes de agências bancárias para enganar pessoas e arrancar economias das vítimas por telefone. As apurações contra o bando vinham se desenrolando desde os primeiros meses deste ano, período em que os policiais começaram a mapear a estrutura financeira e as instalações usadas pelos fraudadores para aplicar os golpes.
O esquema funcionava por meio de centrais telefônicas clandestinas montadas estrategicamente no interior de comunidades da cidade. A primeira delas foi estourada pelos agentes em abril, na Vila Esperança. Na ocasião, as equipes conseguiram recolher uma grande quantidade de computadores, cartões bancários e comprovantes de movimentações financeiras. Kauã, no entanto, mantinha uma rede de olheiros e foi avisado sobre a chegada dos policiais via rádio comunicador, conseguindo escapar pelos fundos antes de ser pego.
Fugas sucessivas até o desfecho trágico
A insistência do suspeito em continuar no comando do crime levou a polícia a intensificar as buscas. Em 16 de julho, os investigadores bateram na porta de um segundo endereço clandestino do grupo, instalado na comunidade Vila Siri. Repetindo a tática anterior, o jovem recebeu alertas sonoros pelo aparelho transmissor e fugiu correndo pelos becos, deixando para trás novos materiais de trabalho. Durante a operação de julho, foram cumpridos mandados judiciais de busca contra dois comparsas ligados ao esquema, identificados como Claudiana Souza de Alencar e Wells Chaves de Souza.
Apesar de ter conseguido despistar a polícia repetidas vezes e escapar de mandados de prisão ao longo de 2026, a trajetória do criminoso acabou na sala da própria casa, em uma desavença que terminou em facadas. O inquérito policial foi registrado como homicídio na Delegacia Sede de Cubatão, onde testemunhas já começaram a prestar depoimentos formais para esclarecer o papel da companheira no crime.
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