A Polícia Civil prendeu líderes de um esquema que usava quiosques para ocultar lucros do tráfico de drogas em Praia Grande

Redação Publicado em 04/09/2026, às 08h13
Um quiosque à beira-mar que faturava cerca de 10 mil reais por período chegou a registrar entradas astronômicas de 1 milhão de reais no caixa para dar aparência limpa aos lucros do crime organizado. Esse artifício, conhecido na polícia como "mescla", era apenas uma das engrenagens de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro desarticulado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (3), com alvos concentrados no bairro Guilhermina, em Praia Grande.
A investida fez parte da chamada Operação Helmintos, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém. A ação resultou na prisão de Leonildo Marinho de Andrade, o "Nenê", e de Anderson Roberto Brachine, conhecido pelo apelido de "Fio". Segundo as apurações policiais, ambos atuavam em um braço estratégico do Primeiro Comando da Capital (PCC) focado em ocultar os ganhos com a venda de drogas, movimentando cerca de 1 bilhão de reais no total, sendo pelo menos 265 milhões de reais diretamente atrelados a esse grupo local. Um terceiro homem também acabou detido em flagrante após arremessar o celular para longe na tentativa de destruir provas. Conduzidos à viatura, os dois alvos com mandado negaram o envolvimento e se declararam inocentes.
Comércio na praia e ciranda de imóveis de luxo
Para limpar os valores ilegais, a quadrilha explorava três quiosques na praia e outro ponto comercial em Praia Grande. Um desses estabelecimentos sozinho chegou a girar mais de 60 milhões de reais. A polícia também investiga como o grupo conseguiu o controle desses espaços: eles teriam se aproveitado de uma regra na concorrência pública que permitia repassar a gestão da barraca para outras pessoas após a vitória no certame. Documentos já foram solicitados à administração de Praia Grande para analisar se servidores participaram do esquema ou se o grupo apenas usou as brechas da máquina pública. Em nota, a Prefeitura esclareceu que não houve mandados nas repartições e reforçou que colabora com a apuração.
Além da orla, os valores eram diluídos no mercado imobiliário. Coberturas, casas em condomínios e terrenos em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba eram adquiridos em nomes de terceiros e revendidos sucessivamente por meio de contratos de gaveta. A estimativa da polícia é que quase 50 propriedades estejam vinculadas ao esquema. A investida já resultou no bloqueio judicial de cerca de 22 milhões de reais em contas bancárias, além da retenção de quatro barras de ouro, 195 mil reais em cédulas, relógios caros, dezenas de telefones e maquinários pesados.
Os agentes também pretendem analisar as mensagens dos aparelhos recolhidos para esclarecer se há conexões com o homicídio do delegado Ruy Ferraz Fontes, executado na região em setembro de 2025 enquanto levantava dados sobre a infiltração de facções em concessões públicas.
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