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Polícia desmonta esquema de tráfico que cobrava dívidas de famílias de presos em Cajati

Com um padrão de vida luxuoso, o suspeito foi encontrado com veículos de alto valor e dinheiro em espécie

A ação da polícia incluiu buscas em várias residências, resultando na apreensão de armas e materiais para o tráfico - Imagem: Reprodução
A ação da polícia incluiu buscas em várias residências, resultando na apreensão de armas e materiais para o tráfico - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 27/01/2026, às 08h58


Uma tática usada por criminosos chamou a atenção das autoridades e motivou uma grande investigação no interior paulista: a quadrilha não apenas vendia entorpecentes, mas também obrigava os familiares de comparsas presos a pagarem as dívidas do tráfico. Foi para combater esse grupo que uma força-tarefa foi montada nesta segunda-feira (26), resultando na prisão de um jovem de 22 anos, apontado como o "gerente" do esquema em Cajati.

As investigações da Polícia Civil revelaram que a organização agia com mão de ferro. Sempre que um vendedor de drogas "na ponta" (o chamado vapor) era detido pela polícia, o prejuízo financeiro da mercadoria apreendida não era absorvido pelos chefes. Pelo contrário: a cobrança recaía sobre a família do detido, que passava a sofrer extorsões e ameaças para cobrir o valor perdido nas bocas de fumo.

Para desarticular esse sistema, foi necessária uma verdadeira megaoperação. A ação mobilizou cerca de 25 policiais civis vindos de diversas delegacias da região, incluindo equipes de Cajati, Jacupiranga, Barra do Turvo e Iporanga, cobrindo áreas do Alto e do Vale do Ribeira. O trabalho contou ainda com o suporte tático da Polícia Militar para garantir a segurança durante o cumprimento dos mandados.

Vida de luxo e apreensões
O alvo principal da operação foi localizado em sua residência no bairro Capitão Brás. Segundo os agentes, o rapaz de 22 anos não ofereceu resistência ao receber a voz de prisão. O que chamou a atenção dos investigadores foi o padrão de vida que ele ostentava. Sem nenhuma profissão formal ou emprego conhecido, ele vivia exclusivamente dos lucros do crime há alguns anos.

Na garagem do suspeito, os policiais encontraram os símbolos desse enriquecimento ilícito: um carro de luxo, modelo Range Rover Evoque, além de duas motocicletas. Mas as evidências não pararam nos veículos. Dentro do imóvel, as equipes apreenderam R$ 12 mil em dinheiro vivo e diversos materiais usados no preparo e venda da droga.

Entre os itens recolhidos estavam uma balança de precisão, muitas embalagens vazias prontas para receber entorpecentes, cartões bancários e ampolas de Cloridrato de Lidocaína — uma substância frequentemente utilizada por traficantes para misturar e aumentar o volume da cocaína.

A varredura policial não se limitou à casa do gerente. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão na região. Em outro endereço ligado à quadrilha, os agentes encontraram uma espingarda de pressão e, em diferentes pontos fiscalizados, foram apreendidos mais três aparelhos celulares, que agora passarão por perícia para tentar identificar outros integrantes do bando.

O jovem detido teve a prisão temporária decretada e foi levado para a Cadeia Pública de Registro. Como o caso corre sob a Lei de Abuso de Autoridade, a identidade dele não foi revelada. A Polícia Civil informou que o trabalho continua, com o objetivo de mapear toda a hierarquia da organização e prender os demais envolvidos nesse esquema de tráfico e extorsão.