Polícia

Polícia localiza casal desaparecido em cova com ossada humana no bairro Samaritá, em São Vicente

Corpos foram encaminhados ao IML para exames necroscópicos; investigação busca esclarecer causas das mortes de Fabiana e Ieda

Fabiana e Ieda estavam desaparecidas desde 9 de julho - Imagem: Divulgação
Fabiana e Ieda estavam desaparecidas desde 9 de julho - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 20/07/2026, às 09h17


O desaparecimento de duas mulheres que mobilizava as autoridades e familiares na Baixada Santista teve um desfecho trágico. Os corpos de Fabiana de Fátima Faria Nogueira, de 47 anos, e Ieda Aparecida Simplício, de 62, foram encontrados enterrados na tarde deste sábado (18) em uma área de mata fechada no bairro Samaritá, em São Vicente. O casal estava sumido desde a noite de 9 de julho.

A descoberta macabra adicionou ainda mais mistério ao caso: durante as escavações para a retirada das vítimas, os policiais localizaram parte de um crânio e outro osso humano na mesma cova. A equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) agora tenta descobrir se o material biológico pertence a uma terceira vítima da violência na região.

Sumiço misterioso após encontro familiar

O drama começou na noite de 9 de julho. Fabiana e Ieda saíram de um encontro com amigos e com a irmã mais velha de Fabiana, na cidade vizinha de Praia Grande. Ao se despedirem, elas mencionaram apenas que iriam "resolver algumas coisas", sem dar maiores detalhes sobre o destino.

O último contato com Ieda ocorreu naquela mesma noite, quando a filha ligou para confirmar uma consulta médica que estava marcada para o dia seguinte. De acordo com o rastreamento da família, a última localização conhecida do aparelho celular das duas apontava para o bairro Samaritá, em São Vicente, por volta das 23h37. A partir dali, os telefones foram desligados.

Carro abandonado aberto ao lado de presídio

Dois dias após o sumiço, no dia 11 de julho, a família tentou registrar o caso em uma delegacia, mas relatou ter sido orientada a retornar na segunda-feira (13) para formalizar o boletim de ocorrência. Diante da angústia, os parentes ligaram para o telefone 190 da Polícia Militar e foram informados sobre um veículo com as mesmas características abandonado nas proximidades do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande.

A irmã de Fabiana foi ao local e confirmou que o automóvel pertencia ao casal. A cena encontrada chamou a atenção:

  • O carro estava completamente aberto na via pública;
  • No interior, os criminosos deixaram documentos, bolsas e chaves;
  • O aparelho celular de uma das mulheres também foi esquecido no banco.

Como ainda não havia um registro oficial de desaparecimento no sistema da Polícia Civil, os policiais militares orientaram que os próprios familiares retirassem o carro do local para evitar furtos.

Reconhecimento e exames necroscópicos

As buscas na área de mata em Samaritá foram acompanhadas de perto por parentes das vítimas neste sábado. O avanço das equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil permitiu a localização da cova rasa. Devido ao avançado estado de decomposição em que os corpos se encontravam, o boletim de ocorrência apontou que foi impossível determinar a causa imediata das mortes ainda no local de mata.

Os restos mortais foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) da região, onde passarão por exames necroscópicos detalhados para apontar se as mulheres foram vítimas de disparos de arma de fogo, asfixia ou agressões físicas. A ossada extraída do mesmo terreno também passará por exames de DNA. A DIG assumiu a responsabilidade total pelo inquérito e trabalha com diferentes linhas de investigação para descobrir a motivação das execuções e capturar os autores do duplo homicídio.