Filme dirigido por Nicole Caroti e Wagner Aragão disputará prêmios de roteiro, fotografia e montagem em novembro
Gabrielle Reis Publicado em 02/07/2026, às 09h31
A história da Baixada Santista vai ganhar as telas de um festival internacional de cinema. O documentário "(Des)embarque – A luta de Cebola e outras histórias da Rodoviária de Santos" foi selecionado para a primeira edição do Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens (FIM.ME). A produção santista está em uma lista exclusiva de apenas 18 obras escolhidas pelo comitê técnico, concorrendo ao lado de títulos nacionais e estrangeiros.
O filme chega à competição com força total, disputando prêmios em cinco categorias técnicas e artísticas: Melhor Documentário de Média-Metragem, Prêmio Especial do Júri, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Montagem, além de estar elegível para as tradicionais Menções Honrosas do júri internacional.
O festival e a janela de exibição
Criado neste ano de 2026, o FIM.ME nasceu como um desdobramento de parcerias estratégicas do Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA). O evento tem como foco exclusivo no formato de média-metragem — produções que possuem tempo de tela estimado entre 26 e 50 minutos.
O cronograma de exibições e premiações das obras selecionadas seguirá duas etapas:
Exibição Online (Setembro e Outubro): Todos os filmes premiados pelo júri técnico serão transmitidos abertamente ao público por meio de canais oficiais e redes sociais vinculadas ao FICCA.
Sessão Presencial (6 de Novembro): O encerramento do festival contará com uma mostra física especial de gala, realizada no auditório do Instituto Federal do Pará (IFPA), no campus da cidade de Bragança (PA).
Por trás das câmeras: A memória de 'Cebola' e da ditadura
Com direção assinada por Nicole Zadorestki Caroti e Wagner de Alcântara Aragão, o documentário faz um mergulho profundo nas memórias e relatos de personagens reais que cruzaram os corredores do terminal ao longo de seus mais de 57 anos de existência. O fio condutor da obra reconstrói a trajetória de Jayme Rodrigues Estrella Júnior, o “Cebola”, figura histórica que dá nome oficial à rodoviária desde 1996.
Jayme foi um ferrenho militante político que atuou na resistência e na luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Devido à sua atuação, foi caçado, perseguido e preso pelo regime de exceção. "Cebola" faleceu no ano de 1985, vítima de graves sequelas físicas e biológicas decorrentes das sessões de tortura que sofreu nos porões da ditadura dez anos antes, em 1975.
Ele foi presidente do Centro dos Estudantes de Santos (CES), em 1968.
Personagens que fazem parte do documentário:
- Geraldo Oliveira Aragão
- Elver Savietto
- Danilo Alvez da Conceição
- Sérgio Pardal Freudenthal
- Jaqueline Fernández Alves
- Júnior Brassaloti
- Íris Geiger
- Brenno Demarchi
Produção financiada por fundo público de Santos
A produção do média-metragem levou cerca de seis meses de trabalho de campo, sendo gravada entre janeiro e junho de 2021. O filme nasceu como o produto principal do projeto cultural ampliado “Rodoviária de Santos, 50 anos de histórias”.
A captação e viabilização da obra foram possíveis graças ao fomento público local: o roteiro foi contemplado pelo 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes da Prefeitura de Santos, utilizando verbas carimbadas do Fundo de Assistência à Cultura (Facult).
Historicamente, o Terminal Rodoviário de Santos foi inaugurado em 29 de dezembro de 1969, sob o comando do então interventor federal do município, o General Clóvis Bandeira Brasil. O prédio foi planejado, levantado e administrado em seus primeiros anos pela Prodesan, tendo sua gestão transferida de forma definitiva para os braços da Secretaria Municipal de Transportes no ano de 1993.
A produção foi feita em 2021 e precisou passar por algumas adaptações por conta da pandemia de covid-19.