Em reunião com representantes dos Estados Unidos, Brasil tenta reverter cobrança de tarifas extras após recurso na Organização Mundial do Comércio
Redação Publicado em 31/08/2026, às 11h04
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil não abandonará a mesa de negociações com os Estados Unidos para tentar reverter a sobretaxa imposta às exportações brasileiras. A declaração ocorreu durante o evento Macro Day, promovido pelo banco BTG Pactual, em São Paulo, horas antes de uma reunião virtual oficial entre representantes das duas nações.
Segundo Alckmin, a diretriz estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter os canais diplomáticos e comerciais abertos para discutir tanto barreiras tarifárias quanto exigências regulatórias. A rodada de conversas bilaterais, articulada após diálogo direto entre Lula e Donald Trump, reúne os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de assessores da Presidência da República.
Pautas de interesse mútuo e balança comercial
Para construir um acordo de benefício mútuo, o governo brasileiro pretende incluir na pauta o projeto Redata, que cria incentivos para a instalação de data centers no país e tem potencial estimado em até R$ 1 trilhão em investimentos, além do marco regulatório de minerais críticos.
Ao classificar as tarifas norte-americanas como injustas, Alckmin ressaltou que os produtos dos EUA pagam, em média, 3,1% de imposto para entrar no mercado brasileiro, com 76% das mercadorias isentas de tributação, gerando superávit comercial para Washington.
As restrições impostas pelos Estados Unidos envolvem uma taxa de 25% — sob alegações de práticas desleais em setores como PIX, etanol e propriedade intelectual — e outra de 12,5% ligada a exigências trabalhistas na cadeia de suprimentos. Em resposta às sobretaxas, que entraram em vigor no final de julho, o governo brasileiro contestou as medidas formalmente junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).