Federação Internacional cancela punições do francês da Alpine após detectar falha na calibração do pit lane
Gabriella Souza Publicado em 12/06/2026, às 11h32
O desfecho do Grande Prêmio de Mônaco ganhou um novo e complexo capítulo jurídico na manhã desta sexta-feira (12), nos bastidores do Circuito de Barcelona-Catalunha. A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) concluiu o processo de revisão e oficializou a anulação das duas penalidades impostas a Pierre Gasly, devolvendo o terceiro lugar da corrida ao piloto da Alpine. Contudo, a resolução gerou uma reação imediata no paddock: as equipes McLaren e Red Bull Racing confirmaram que entrarão com uma ação formal para recorrer da decisão da entidade.
Como a determinação partiu do colégio de comissários da própria federação e não pode ser revogada administrativamente pela FIA, as escuderias rivais preparam uma representação junto à Corte Internacional de Apelação (ICA), órgão máximo de resolução de disputas do esporte a motor. Um porta-voz da McLaren confirmou à reportagem do ge que a intenção de apelar já foi protocolada e deve ser ratificada nas próximas 96 horas.
Erro de 77 centímetros na medição beneficiou a Alpine
A decisão de reverter o resultado de domingo (7) ocorreu após os comissários avaliarem os dados apresentados pela Alpine em audiência realizada nesta quinta-feira. A apuração técnica identificou uma falha de calibração na configuração geográfica das zonas de sensores do pit lane de Monte Carlo.
Uma divergência de 77 centímetros no mapeamento da linha de entrada distorceu o cálculo automatizado da velocidade média dos monopostos no trecho. Como Gasly havia sido punido por margens mínimas, trafegando a 60,1 km/h e 60,4 km/h em um trecho cujo limite era de 60 km/h, os novos dados comprovaram que a imprecisão do sistema superestimou a velocidade real do carro número 10. Com a retirada dos 10 segundos de acréscimo que haviam sido aplicados ao seu tempo de prova, o francês saltou do sétimo para o terceiro lugar.
Impacto na tabela
A devolução do pódio a Pierre Gasly alterou diretamente a distribuição de pontos do campeonato e prejudicou três equipes concorrentes. Com a nova folha de tempos oficializada pela FIA, o cenário do campeonato apresentou as seguintes mudanças:
Durante as reuniões com a FIA na Espanha, diretores esportivos das equipes afetadas contestaram a justificativa apresentada pela Alpine. Stephen Knowles, chefe esportivo da Red Bull, argumentou que o sistema de cronometragem operou de forma consistente para todo o grid durante o final de semana e que variações milimétricas fazem parte do escopo da pista.
A tese foi endossada pelo diretor esportivo da McLaren, Will Courtenay, que defendeu que cabe às equipes orientar os pilotos a adotarem uma margem de segurança abaixo do limite para prevenir punições. Marco Perroni, diretor esportivo da Racing Bulls, também questionou a metodologia de aferição de dados utilizada pela equipe francesa para contestar a FIA.
Caso a absolvição seja mantida pela Corte Internacional, Gasly consolidará o sexto pódio de sua trajetória na Fórmula 1, o primeiro desde o Grande Prêmio de São Paulo de 2024. O caso segue sob análise jurídica e promete estender as discussões técnicas ao longo de todo o final de semana do GP da Espanha.