Federação reconhece que equipamento superestimou velocidade do carro da Alpine por margens mínimas de até 0,1 km/h

Gabriella Souza Publicado em 11/06/2026, às 13h36
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deferiu o pedido de revisão protocolado pela escuderia Alpine a respeito das penalidades aplicadas ao francês Pierre Gasly durante o Grande Prêmio de Mônaco, realizado no último domingo (7).
O piloto havia cruzado a linha de chegada na terceira colocação, mas o acréscimo de dez segundos ao seu tempo total de prova o rebaixou oficialmente para o sétimo lugar. O colégio de comissários desportivos da entidade máxima acatou a argumentação de que existem novos elementos técnicos para justificar a reabertura do caso.
Durante o desenrolar da etapa nas ruas de Monte Carlo, Gasly sofreu duas punições consecutivas de cinco segundos cada sob a acusação de exceder o limite de velocidade na pista de rolamento dos boxes (pit lane). Outros competidores, incluindo Lewis Hamilton, Oscar Piastri e Franco Colapinto, receberam sanções de teor idêntico. Gasly, contudo, foi o único punido por duas vezes na mesma tarde. Logo após a bandeirada, o piloto manifestou inconformismo público com as decisões da direção de prova.
Imprecisão em sistema da FOM
O limite regulamentar de velocidade estabelecido para o pit lane do circuito de Mônaco era de 60 km/h. Os registros técnicos que embasaram as punições originais contra Gasly apontavam infrações por margens estreitas, acusando excessos de apenas 0,1 km/h e 0,4 km/h acima do teto permitido. Diante da similaridade com as marcas de outros carros, a Alpine formalizou o protesto formal.
Conforme relatórios de bastidores, a audiência técnica realizada nesta quinta-feira (11) reuniu representantes de quase todas as equipes do grid da Fórmula 1. As análises gráficas demonstraram que o sistema de cronometragem operado no local operou de forma imprecisa, superestimando de maneira errônea a velocidade real do carro número 10 pilotado por Gasly.
Em parecer oficial, a FIA esclareceu que os relatórios detalhando a inconsistência do equipamento de medição só foram fornecidos às equipes e à federação na quarta-feira (10) pela Formula One Management (FOM), empresa que detém os direitos comerciais e de geração de dados da categoria.
Próximos passos da investigação
Como a evidência de falha sistêmica constitui um fato novo que não estava disponível para consulta no momento em que os comissários aplicaram as penalidades na pista, a FIA validou o recurso para dar prosseguimento à apuração formal.
A entidade, no entanto, rejeitou uma das alegações secundárias da Alpine, que sugeria que a direção de prova já tinha ciência da pane de calibração antes da largada de domingo.
O documento emitido pelos comissários indicou que o próprio corpo técnico manifestou estranheza interna após a aplicação da terceira punição consecutiva por excesso no pit lane. À época, a direção de prova consultou os operadores do sistema sobre possíveis avarias nos sensores, mas nenhum defeito técnico havia sido reportado de imediato pelos técnicos de pista.
Com a instauração do processo de revisão, a FIA julgará se as punições de Gasly serão integralmente retiradas do tempo final de prova. Caso as sanções sejam anuladas, o piloto da Alpine reaverá o terceiro lugar em Mônaco, alcançando o sexto pódio de sua carreira na Fórmula 1, o último havia sido registrado no Grande Prêmio de São Paulo de 2024. O veredito definitivo da federação possui potencial para gerar um efeito cascata, abrindo precedentes legais para que as demais equipes punidas sob o mesmo argumento em Monte Carlo solicitem a revisão de seus respectivos resultados.
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