Ídolo do Santos que virou motorista de aplicativo após enfrentar depressão volta ao futebol aos 67 anos

Juary, campeão paulista pelo Peixe e autor do gol do título europeu do Porto contra o Bayern de Munique, encontrou na nova rotina uma forma de recuperar o ânimo e agora retoma a ligação com o futebol.

Depois de enfrentar um período de depressão e trabalhar como motorista de aplicativo na Baixada Santista, o ex-atacante volta a se aproximar do futebol - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 10/08/2026, às 18h55

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Aos 67 anos, Juary Jorge dos Santos Filho inicia uma nova fase de sua trajetória no futebol. Ídolo do Santos na geração dos Meninos da Vila, campeão paulista em 1978 e autor de um dos gols mais importantes da história do Porto, o ex-atacante passou por um período de afastamento dos gramados e começou a trabalhar como motorista de aplicativo na Baixada Santista.

A mudança ocorreu após Juary enfrentar um período de depressão e isolamento. A nova rotina, segundo o próprio ex-jogador, ajudou a recuperar o contato com outras pessoas e a retomar atividades do dia a dia. Agora, ele volta a se aproximar do futebol e inicia mais um capítulo de uma carreira marcada por títulos, passagens internacionais e gols decisivos.

Do estrelato ao isolamento
A fase mais recente da vida de Juary começou após o encerramento de seu último trabalho no futebol, como treinador do MK, em Curitiba, em 2025.

No início de 2026, o ex-jogador decidiu dedicar mais tempo à família. Com a mudança na rotina profissional, porém, passou por um período de isolamento e falta de disposição. Em relatos concedidos à imprensa, Juary contou que chegou a passar boa parte dos dias em casa, sem vontade de sair ou de manter contato com outras pessoas.

A situação levou a família a procurar alternativas para ajudá-lo a retomar uma rotina. A esposa e os filhos sugeriram que ele buscasse uma atividade que o mantivesse ocupado e promovesse maior contato social.

Foi então que Juary começou a trabalhar como motorista de aplicativo na Baixada Santista.

A princípio, a atividade tinha como objetivo ocupar o tempo e criar uma nova rotina. O ex-atacante passou a trabalhar de segunda a sábado, inicialmente levando a esposa ao trabalho e, posteriormente, realizando corridas pelo aplicativo.

O trabalho também proporcionou uma retomada da convivência social. Durante as viagens, Juary passou a conversar diariamente com passageiros e a compartilhar experiências acumuladas durante décadas no futebol.

O carro virou ponto de encontro
As corridas passaram a representar mais do que uma atividade profissional para Juary. O contato constante com passageiros criou uma rotina de conversas e encontros que ajudou o ex-jogador a se reconectar com outras pessoas.

Em entrevistas, Juary chegou a comparar o ambiente do carro a um “consultório em quatro rodas”, em razão das conversas que surgem durante as viagens.

A atividade também proporcionou encontros inesperados com antigos torcedores.

Em uma das corridas, uma passageira reconheceu Juary e se emocionou ao descobrir que o motorista havia sido um dos principais jogadores do Santos durante a geração dos Meninos da Vila.

A situação resume o contraste da nova rotina do ex-atacante. Enquanto atualmente circula pelas ruas da Baixada Santista como motorista de aplicativo, Juary mantém uma história reconhecida por torcedores do Santos e do Porto, dois clubes pelos quais protagonizou momentos importantes.

Um dos Meninos da Vila
Juary chegou ao Santos ainda adolescente, depois de deixar São João de Meriti, no Rio de Janeiro, para realizar testes nas categorias de base do clube.

O atacante ganhou espaço no elenco profissional e se tornou um dos principais nomes da geração que ficou conhecida como Meninos da Vila.

Pelo Santos, Juary disputou 229 partidas e marcou 101 gols. Em 1978, teve papel importante na campanha que terminou com o título paulista do clube e terminou a competição como artilheiro do Peixe, com 29 gols.

A velocidade era uma das principais características do atacante, que também ficou marcado por uma comemoração específica. Após marcar, Juary costumava correr ao redor da bandeirinha de escanteio, gesto que se tornou uma das imagens daquela geração santista.

A passagem pelo Santos também colocou Juary ao lado de Pelé em um momento histórico.

Em 1977, o atacante participou do amistoso entre Santos e New York Cosmos que marcou a última partida profissional do Rei do Futebol. Pelé atuou um tempo por cada equipe, e o Cosmos venceu a partida por 2 a 1.

O gol que entrou para a história da Europa
Depois da passagem pelo Santos, Juary construiu uma carreira internacional. O atacante atuou no futebol mexicano e defendeu clubes italianos como Avellino, Inter de Milão, Ascoli e Cremonese.

A trajetória ganhou um dos capítulos mais importantes no Porto, de Portugal.

Na final da Liga dos Campeões da temporada 1986/1987, o clube português enfrentou o Bayern de Munique. Juary entrou durante a partida e marcou o gol que confirmou a virada do Porto e garantiu o título europeu.

Na mesma temporada, o atacante também conquistou o Mundial de Clubes com o Porto. Na decisão, a equipe portuguesa enfrentou o Peñarol, do Uruguai.

O gol contra o Bayern colocou Juary definitivamente na história do clube português. Décadas depois, o ex-atacante vive uma rotina completamente diferente, trabalhando como motorista na região onde construiu parte de sua trajetória no futebol brasileiro.

Uma nova relação com o futebol
Aos 67 anos, Juary volta a se aproximar do futebol em uma função diferente daquela que exerceu durante a maior parte da carreira.

O ex-atacante já trabalhou em categorias de base e também exerceu funções como treinador. Agora, a experiência acumulada ao longo de décadas volta a ser utilizada em uma nova etapa profissional ligada ao esporte.

A história também chama atenção para uma questão que acompanha muitos atletas depois da aposentadoria: a adaptação à vida longe dos gramados.

Depois de anos submetidos a rotinas de treinamentos, jogos, viagens e competições, o encerramento da carreira pode representar uma mudança significativa na vida profissional e pessoal dos jogadores.

No caso de Juary, o afastamento do futebol foi acompanhado por um período de isolamento. A retomada de uma rotina de trabalho e o contato diário com outras pessoas contribuíram para uma nova fase.

A trajetória do ex-atacante, portanto, ganhou um novo capítulo longe dos grandes estádios. Depois de marcar gols pelo Santos, conquistar títulos na Europa e participar de momentos históricos do futebol, Juary encontrou no trabalho como motorista uma forma de reconstruir sua rotina.

Agora, aos 67 anos, ele volta a se aproximar do futebol.

Desta vez, não como o atacante veloz dos Meninos da Vila ou como o jogador que entrou para decidir uma final europeia, mas como um profissional que carrega décadas de experiência e uma história construída dentro e fora dos gramados.

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