Após a terceira ausência consecutiva em Copas do Mundo, Gabriele Gravina renuncia à presidência da FIGC sob pressão pública e governamental
Gabriella Souza Publicado em 02/04/2026, às 11h37
O presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, renunciou oficialmente ao cargo nesta quinta-feira (2). A decisão ocorre no rastro do maior vexame da história recente da Azzurra, a terceira ausência consecutiva da seleção tetracampeã mundial em uma Copa do Mundo. Gravina, que comandava a entidade desde 2018, vinha sofrendo uma pressão insustentável por parte do governo italiano e da opinião pública após a queda nos playoffs.
A gota d'água foi a derrota para a Bósnia e Herzegovina, ocorrida na última terça-feira. Após um empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, os bósnios levaram a melhor na decisão por pênaltis, vencendo por 4 a 1 e carimbando o passaporte para o torneio de 2026.
A partida começou com ares de alívio para os italianos, quando Moise Kean abriu o placar logo nos minutos iniciais. No entanto, o cenário mudou drasticamente ainda no primeiro tempo com a expulsão de Alessandro Bastoni, que derrubou Memic em uma chance clara de gol.
A insistência bósnia deu resultado na segunda etapa. Após diversas defesas importantes e chances desperdiçadas, o veterano Edin Dzeko cabeceou com perigo e, no rebote, Tabakovic empurrou para as redes, deixando tudo igual no placar. O empate persistiu durante toda a prorrogação, levando a decisão para os pênaltis.
Nas cobranças, a Bósnia e Hezergovina marcou quatro gols em quatro batidas. Pelo lado da Itália, Esposito e Cristante desperdiçaram suas oportunidades. Com este resultado, a Itália alcança a marca negativa de doze anos sem disputar um Mundial, tendo participado pela última vez na edição de 2014, no Brasil.
Um jejum que atravessa décadas
O cenário para o torcedor italiano é desolador. A última vez que a Itália pisou em um gramado de Mundial foi em 2014, na Copa realizada no Brasil. Desde então, o país assistiu de longe às edições da Rússia (2018), Catar (2022) e, agora, amarga a exclusão da Copa de 2026, que será disputada na América do Norte.
O goleiro Gianluigi Donnarumma, um dos líderes do elenco, desabafou após a eliminação, revelando ter chorado copiosamente no vestiário. A crise não se restringe apenas aos resultados, mas atinge o prestígio da marca "Itália" no cenário global, com o país perdendo posições relevantes no ranking da FIFA e ficando fora do top 5 mundial, conforme as atualizações mais recentes da entidade máxima do futebol.