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Rios transbordam em Mongaguá e deixam área rural isolada após chuvas intensas

Com 191,6 mm de chuva em 72 horas, a Defesa Civil intensifica resgates e acolhimento de famílias afetadas

Prefeitura ativa rede de doações para ajudar famílias que perderam tudo - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 27/02/2026, às 12h59

A situação em Mongaguá, no litoral sul de São Paulo, permanece extremamente crítica após uma sequência de dias marcados por temporais severos. O transbordamento dos rios Aguapeú e Bichoró paralisou a rotina da cidade, deixando a área rural completamente isolada e sem qualquer via de acesso terrestre.

Segundo os dados oficiais da Prefeitura, o volume de chuva acumulado nas últimas 72 horas atingiu a marca impressionante de 191,6 milímetros, um volume de água que satura o solo e impede o escoamento natural para os leitos dos rios, mantendo o nível de inundação elevado mesmo nos períodos de trégua da chuva.

Atualmente, a Defesa Civil trabalha ao nível de atenção máxima, concentrando esforços no resgate e acolhimento das famílias que tiveram suas casas invadidas pelas águas. O Ginásio Arthurzão foi transformado em um centro de acolhimento emergencial e já abriga 49 pessoas, além de cinco animais de estimação. O perfil dos desabrigados mostra a vulnerabilidade da situação: entre os acolhidos estão nove homens, 11 mulheres e um grande número de jovens, incluindo 19 crianças, seis adolescentes e quatro bebês. As equipes de assistência social e saúde monitoram os abrigados enquanto novos pedidos de remoção continuam chegando aos canais de emergência.

Orientações de segurança e alerta aos moradores

As autoridades de segurança pública e a Defesa Civil reforçam que o perigo não se restringe apenas às inundações diretas. O solo encharcado aumenta drasticamente o risco de deslizamentos de terra e desabamentos estruturais. Por isso, a orientação é clara: ao menor sinal de rachaduras nas paredes, trincas no chão, inclinação de postes e árvores ou surgimento de água barrenta descendo de encostas, os moradores devem abandonar o imóvel imediatamente. O contato com a Defesa Civil deve ser feito pelo telefone 199, ou com o Corpo de Bombeiros pelo 193, para garantir uma evacuação segura e coordenada.

Além do risco nas residências, trafegar pela cidade exige cautela redobrada. A recomendação é que motoristas e pedestres jamais tentem atravessar vias alagadas ou enfrentar enxurradas, mesmo em veículos grandes, como caminhonetes ou caminhões. A força da água pode esconder buracos, bueiros abertos ou correntezas capazes de arrastar veículos em poucos segundos. Para quem mora em áreas já inundadas e sem condições de saída segura, a instrução é permanecer em pontos elevados da casa e aguardar o socorro especializado, evitando o contato direto com a água das enchentes, que pode transmitir doenças graves como a leptospirose.

Como ajudar e rede de solidariedade

Para tentar amenizar o sofrimento das famílias que perderam móveis, roupas e mantimentos, a Prefeitura de Mongaguá ativou uma rede de doações por meio do Fundo Social de Solidariedade. A população pode colaborar levando itens essenciais para a sede da instituição, localizada no Centro da cidade (Rua Rui Barbosa, nº 150). Entre as maiores necessidades do momento estão alimentos não perecíveis, toalhas de banho, produtos de higiene pessoal (como sabonetes, pastas de dente e fraldas) e materiais de limpeza para a futura higienização das casas atingidas.

A solidariedade da comunidade regional é fundamental neste momento de crise climática, uma vez que a previsão do tempo para os próximos dias ainda indica instabilidade, o que pode retardar o retorno das famílias às suas residências. O monitoramento dos rios continuará sendo feito de forma ininterrupta, e as atualizações sobre o número de desabrigados e a liberação das estradas rurais serão divulgadas conforme as águas baixarem. Até lá, a prioridade absoluta das equipes municipais é a preservação da vida e o suporte básico aos que estão impedidos de voltar para casa.

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