Polícia

Autor de latrocínio em Cubatão é preso no litoral e pode pegar até 30 anos de prisão

Criminoso confessou após ser flagrado com dólares falsos em campana; marcas de bala no braço confirmaram a identidade do suspeito

Investigação usou câmeras e dados de celular para rastrear Diego Henrique Souza em São Vicente - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 29/05/2026, às 13h43

A elucidação de um crime violento que chocou a Baixada Santista ganhou novos detalhes com a revelação dos bastidores da investigação policial. Diego Henrique Souza, de 38 anos, apontado como o autor do latrocínio que matou um homem de 57 anos dentro de uma clínica dentária em Cubatão, foi preso após passar 34 dias despistando as autoridades. A prisão aconteceu no final da tarde desta quarta-feira (27), em São Vicente.

O desfecho dos trabalhos de campo foi apresentado oficialmente em uma entrevista coletiva liderada pelo delegado seccional de Santos, Rubens Barazal, e pelo delegado titular de Cubatão, Fernando Henrique Fernandes Faria, que conduziu todo o inquérito. A operação que tirou o assaltante de circulação envolveu rastreamento de transporte público, quebra de sigilo e a identificação de marcas físicas deixadas no corpo do próprio criminoso.

Rastreamento por ônibus e quebra de sigilo

A descoberta da identidade do assaltante foi um verdadeiro quebra-cabeça montado pelo setor de inteligência da Polícia Civil. Ao analisarem dezenas de horas de gravações das câmeras de monitoramento do Centro de Cubatão, os investigadores descobriram um detalhe crucial: o criminoso não utilizou um carro próprio para chegar ao local do crime, mas sim um ônibus intermunicipal.

A partir dessa pista, os policiais refizeram todo o itinerário do coletivo e conseguiram cravar o ponto exato onde o suspeito havia embarcado, localizado na Área Continental de São Vicente. Para fechar o cerco, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico do investigado. O cruzamento das antenas que transmitiam o sinal do celular dele confirmou os passos de Diego e apontou a localização exata de seu reduto de fuga.

A polícia também relembrou que, logo na noite do crime, no dia 24 de abril, o carro que Diego roubou de uma das vítimas para fugir foi encontrado totalmente carbonizado. O assaltante incendiou o automóvel de propósito e o abandonou bem perto de sua antiga casa, no bairro Samaritá, em São Vicente, na tentativa de apagar vestígios biológicos.

Emboscada e a marca do tiro no braço

Após descobrirem o endereço atual onde Diego estava escondido, os policiais civis do Distrito Policial de Cubatão montaram uma campana velada na calçada do imóvel. Assim que perceberam uma movimentação suspeita que indicava uma possível tentativa de fuga, os agentes se dividiram e fizeram a abordagem no portão da residência.

Além do reconhecimento visual feito pelas fotos do sistema, um detalhe anatômico no corpo de Diego foi definitivo para confirmar que ele era o homem procurado: cicatrizes recentes de uma perfuração de bala em seu braço. O ferimento foi causado por um disparo efetuado durante a luta corporal que ele travou com as vítimas dentro do consultório no dia do assalto.

No esconderijo de São Vicente, os policiais também encontraram e apreenderam munições de calibre restrito e milhares de dólares em notas falsificadas. Diego confessou formalmente o crime, passou por audiência de custódia e foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente. O preso já tem uma ficha extensa por roubo e, com essa nova acusação de latrocínio, pode pegar até 30 anos de cadeia.

Crime

O roubo seguido de morte aconteceu na Rua Bahia, perto da Praça Princesa Isabel, na região central de Cubatão. Diego usou uma tática comum para burlar os funcionários: entrou na clínica se passando por um paciente comum que buscava atendimento.

Pouco depois de passar pela recepção, ele sacou a arma, anunciou o assalto e rendeu todo mundo que estava no local. Funcionários e pacientes foram mantidos sob forte ameaça psicológica por cerca de uma hora dentro do estabelecimento. Em um momento de distração do criminoso, as vítimas tentaram desarmá-lo, dando início a uma briga física. Durante a confusão, Diego atirou várias vezes, matando o homem de 57 anos e ferindo de raspão o pescoço de um jovem de 19 anos antes de fugir.

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